O fecho éclair foi o primeiro som. Um pequeno chiar na margem da porta da tenda, demasiado delicado para ser humano, demasiado intencional para ser o vento. A luz pálida da madrugada infiltrava-se pelo nylon, aquele brilho suave cinzento-azulado que te diz que é cedo demais para estares verdadeiramente acordado. O campista abriu um olho, a escutar. Um leve farfalhar. Um leve raspar. Depois, uma pausa - aquele tipo de silêncio pesado que significa que, lá fora, há algo a pensar.
Quando, por fim, baixou o fecho apenas dois dedos e espreitou, um relâmpago de pelo castanho-avermelhado deixou-o gelado. Ali, a não mais de um braço de distância, um esquilo-vermelho estava sentado direito ao lado do saco da comida, com as patinhas enterradas no mix de trilho. Calmo. Concentrado. A separar, em silêncio, amendoins e passas como se estivesse a fazer um inventário delicado da manhã.
Olhou para ele uma vez, com a cabeça inclinada, como quem diz: “Acordaste cedo.”
Um visitante ao amanhecer com cauda fofa e zero vergonha
Há um tipo específico de magia nos primeiros cinco minutos depois de acordares ao ar livre. Os sentidos ainda estão enevoados, o mundo ainda é meio sonho, e depois algo te sacode por completo para o presente. Para um campista, não foi um canto de pássaro nem o borbulhar de um riacho próximo. Foi um esquilo-vermelho, atrevido como um cliente habitual de um café de esquina, com os cotovelos enfiados no pequeno-almoço dele.
O animal não estava em pânico. Nada de corridas frenéticas nem fuga de desenho animado. Remexia com calma a granola, empurrando suavemente a aveia para o lado para farejar os frutos secos, parando de poucos em poucos segundos para mastigar. A luz do sol apanhava-lhe a cauda - uma pluma avermelhada a brilhar, a tremer ligeiramente no ar frio. Ele susteve a respiração. O esquilo não quis saber. Aquilo não era um assalto. Era uma verificação de rotina.
Nem todos os campistas têm um “despertar” tão cinematográfico, mas esta cena é mais comum do que se imagina. Em parques de campismo na Europa e na América do Norte, caminhantes relatam a mesma mistura estranha de comédia e espanto: esquilos pequenos a tratar sacos de comida humana como buffets abertos. Uma mulher no Lake District filmou um esquilo a abrir calmamente o fecho da sua mochila de dia e a pescar uma barra de cereais, parando apenas para cheirar a embalagem.
Outra família, na Escócia, viu um esquilo-vermelho arrastar uma sandes inteira, quase duas vezes maior do que ele, pela relva num movimento lento e imperturbável. Sem pressa, sem medo - só pura determinação. Os fóruns online estão cheios de histórias assim: bolachas desaparecidas, frutos secos evaporados, barras de chocolate misteriosamente perfuradas por pequenas marcas de dentes. Começas a perceber que estes encontros não são acidentes. São hábitos.
A razão é simples e ligeiramente desconfortável: estes pequenos acrobatas da floresta são inteligentes, adaptáveis e rápidos a ligar causa e efeito. Cheiros a comida significam calorias. Tendas e geleiras significam acesso fácil. Observam-nos a cozinhar, a guardar, a esquecer - e depois juntam-se à festa. Com o tempo, um esquilo selvagem que normalmente ficaria por pinhas e sementes começa a incluir os campistas na sua rotina diária.
Aquela separação silenciosa do mix de trilho ao amanhecer é o resultado final de dezenas de pequenas lições aprendidas. Que sacos se abrem com facilidade. Que campistas são desarrumados. Que sítios são seguros. Para eles, a nossa granola matinal é apenas mais um recurso na floresta. Para nós, é um lembrete suave: nunca estamos tão sozinhos na natureza como pensamos.
Como partilhar um parque de campismo com esquilos sem perder o pequeno-almoço
Se preferes observar esquilos-vermelhos à distância em vez de os teres ao lado da almofada, alguns pequenos gestos mudam tudo. Começa na noite anterior. Guarda a comida num recipiente rígido com fecho de verdade, não apenas num saco com fecho tipo zip ou num saco de cordão frouxo. Os esquilos roem plástico mole como manteiga - e são surpreendentemente bons com fechos.
Pendura a comida ou guarda-a no carro quando isso for possível. Por mais aborrecido que pareça, colocar os snacks a um ou dois metros do chão já dificulta a vida a patinhas curiosas. Mantém a zona de cozinha limpa. Varre migalhas, despeja a água restante da massa longe da tenda e limpa as superfícies. Pequenas coisas, feitas meio a dormir no escuro, moldam silenciosamente a fauna que te visita ao amanhecer.
Todos já passámos por isso: aquele momento em que estás demasiado cansado para arrumar devidamente depois de uma longa caminhada. O fogareiro arrefece, desaparece o último marshmallow e pensas: “Amanhã trato disso.” Isso é basicamente um convite aberto para tudo o que tenha nariz. Os esquilos não precisam de uma grande porcaria. Basta um ligeiro cheiro a frutos secos ou açúcar para os atrair.
Um erro comum é tratar os esquilos como figurantes inofensivos de desenho animado. São giros, sim, mas podem morder, arranhar e transmitir parasitas. Outro deslize é alimentá-los de propósito, só “desta vez” para uma fotografia. É assim que perdem o medo e, quando associam humanos a comida, começam a testar todos os limites. A verdadeira magia do campismo não é dar comida à vida selvagem à mão; é vê-los comportarem-se como se tu não estivesses lá.
Como me disse um guarda florestal nos Cairngorms: “A linha entre ‘visitante adorável’ e ‘problema constante’ costuma ser uma pessoa a atirar um punhado de frutos secos no momento errado.”
- Guarda a comida em recipientes rígidos ou em carros trancados
Evita sacos moles que possam ser roídos. Caixas sólidas cortam tanto o cheiro como o acesso. - Mantém a tenda como uma zona sem comida
Nada de lanches a meio da noite lá dentro. Os esquilos vão lembrar-se do cheiro e explorar. - Limpa imediatamente depois de comer
Limpa, varre e arruma. Até migalhas minúsculas enviam um sinal forte. - Observa à distância
Usa os olhos e a câmara, não as mãos. Nada de atirar amendoins “só para ver melhor”. - Respeita as horas calmas para a vida selvagem
O início da manhã e o fim da tarde são o período de maior atividade. Mantém-te calmo, observa e deixa-os decidir quão perto querem chegar.
O que um pequeno esquilo ao amanhecer diz, em silêncio, sobre nós
Aquele esquilo-vermelho à porta da tenda é mais do que uma anedota engraçada. É um pequeno espelho apontado aos nossos hábitos ao ar livre: as nossas migalhas, a nossa preguiça, o nosso fascínio por animais “selvagens” que se comportam um pouco demais como animais de estimação. Há uma ternura estranha em acordar e encontrar uma criatura tão leve e rápida a mover-se devagar, deliberadamente, pela tua comida, como se estivessem num horário partilhado.
Também levanta perguntas que normalmente evitamos em viagens curtas de campismo. Até que ponto estamos a mudar estes animais sem darmos conta? O que acontece quando os mais atrevidos ensinam os mais novos? Quando “vasculhar atrás das tendas” se torna um comportamento normal, transmitido como qualquer outro truque de sobrevivência? Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, esta rotina perfeita de “não deixar rasto” de que gostamos de nos gabar. Escorregamos. Esquecemo-nos. E a floresta lembra-se.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| Identifica os sinais | Esquilos calmos perto de tendas geralmente significam que já andaram por perto de campistas antes | Ajuda-te a ler a situação e a ajustar o teu comportamento |
| Protege a tua comida | Recipientes rígidos, zonas de cozinha limpas e nada de snacks na tenda | Evita roubos, riscos de saúde e equipamento danificado |
| Respeita o comportamento selvagem | Observa, não alimentes, e deixa os animais manterem as rotinas naturais | Encontros mais seguros e momentos de vida selvagem mais autênticos |
FAQ:
- Pergunta 1 É perigoso se um esquilo entrar na minha tenda ou na minha comida?
- Pergunta 2 Os esquilos-vermelhos podem ficar dependentes dos campistas para obter comida?
- Pergunta 3 Qual é a melhor forma de reagir se eu acordar e houver um mesmo ao meu lado?
- Pergunta 4 Os esquilos-vermelhos são protegidos e é permitido enxotá-los?
- Pergunta 5 Como posso desfrutar de ver esquilos enquanto acampo sem os incomodar?
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