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Atenção ao gelo invisível: 9 dicas para evitar quedas na neve e no frio.

Pessoa com casaco amarelo e bengala a caminhar na neve numa rua ensolarada.

Across the Reino Unido e o norte dos EUA, os hospitais registam um aumento acentuado de fraturas e traumatismos cranianos sempre que as temperaturas descem a pique. Com mais ciclos de congelação–degelo e nevões inesperados, manter-se de pé passou a ser uma verdadeira competência de inverno, e não apenas uma questão de bom senso.

Quedas no inverno: um perigo sazonal silencioso

Cada vaga de frio traz a mesma história: uma ida rápida à loja, uma corrida apressada para deixar as crianças na escola, ou um sprint para apanhar o autocarro - e uma placa de gelo escondida muda tudo. Um escorregão simples pode significar semanas de baixa, cirurgia ou dor prolongada, sobretudo em pessoas mais velhas ou com ossos frágeis.

Os serviços de saúde referem que as quedas em gelo e neve compactada podem causar lesões tão graves como as de pequenos acidentes de viação.

A boa notícia: um punhado de hábitos práticos reduz drasticamente o risco. Nenhum exige equipamento especializado ou forma física extrema. São pequenos ajustes na forma como se veste, por onde anda e como se move.

1. Calce sapatos de inverno adequados

O calçado é a sua primeira linha de defesa. Solas de couro lisas ou ténis gastos comportam-se como patins em passeios gelados.

  • Escolha sapatos ou botas com rasto profundo de borracha.
  • Prefira modelos até ao tornozelo (ou mais altos) que estabilizem a articulação.
  • Evite plataformas, saltos finos e solas rígidas.

Botas isoladas com boa aderência não são apenas para caminhadas. Muitos modelos urbanos escondem hoje tração a sério num design relativamente elegante. Se anda muito a pé, considere antiderrapantes amovíveis para gelo que se esticam por cima da sola; demoram segundos a tirar quando entrar em espaços interiores.

Uma dica ligeiramente estranha que alguns caminhantes juram resultar: meias grossas de algodão puxadas por cima dos sapatos. O tecido cria fricção extra no gelo. Vão ficar estranhas e não duram muito, mas, em caso de aperto, podem fazer diferença num troço curto e arriscado.

2. Procure neve fresca e evite gelo “polido”

Nem todas as superfícies brancas se comportam da mesma forma. Neve fresca e fofa oferece muito melhor aderência do que zonas compactadas e brilhantes.

Caminhe, sempre que possível, sobre neve macia e intacta; evite áreas onde as pegadas a esmagaram numa camada lisa e brilhante.

Quando a temperatura anda à volta do ponto de congelação, as passadas repetidas e os carros a passar comprimem a neve em placas densas e escorregadias, quase tão traiçoeiras como o gelo negro. Se tiver de escolher entre uma faixa um pouco mais funda de neve fofa e um trilho batido, a rota “fofa” costuma ser mais segura - mesmo que acabe com as calças húmidas.

3. Copie o pinguim: passos pequenos e planos

A “marcha do pinguim” parece um pouco cómica, mas funciona. Em condições de gelo, a passada confiante de sempre torna-se um problema, porque o centro de gravidade oscila para a frente e para trás a cada passo grande.

Como andar como um pinguim sem se sentir ridículo

  • Dê passos curtos e lentos, mantendo os pés por baixo do corpo.
  • Aponte os pés ligeiramente para fora para alargar a base de apoio.
  • Mantenha os joelhos soltos e ligeiramente fletidos.
  • Assente o pé inteiro de uma vez, em vez de bater primeiro com o calcanhar.

Ter os braços afastados do tronco, mesmo que só um pouco, ajuda a equilibrar. Pode parecer parvo nos primeiros metros, mas deixa de se preocupar com o aspeto no momento em que sentir quão mais estável fica.

4. Mantenha as mãos livres e equilibre a carga

Malas pesadas, malas de portátil ou sacos de compras pendurados num só ombro puxam o corpo para fora do eixo. Isso torna um escorregão mais difícil de corrigir.

Uma mochila mantém o peso próximo da coluna, melhora o equilíbrio e deixa ambas as mãos livres para reagir.

Se tiver mesmo de levar sacos, tente dividir o peso de forma equilibrada entre os dois lados e mantenha a carga leve. Ao pisar uma zona visivelmente escorregadia, considere pousar os sacos primeiro, atravessar com cuidado e depois levar as coisas numa segunda viagem.

5. Abrande e observe o chão

A pressa é inimiga da estabilidade. Em dias de gelo, a caminhada da manhã demora mais - ponto final. Conte com isso no seu horário para não se sentir tentado a correr para um comboio ou a atravessar a estrada a sprintar.

Dicas práticas de ritmo em passeios gelados

  • Teste cada passo de forma suave antes de colocar todo o peso.
  • Mantenha o olhar ligeiramente à frente, não no telemóvel nem colado aos pés.
  • Evite mudanças bruscas de direção; rode com vários passos pequenos em vez de torcer de repente.

Superfícies irregulares, tampas de escoamento, marcas pintadas e tampas de saneamento congelam muitas vezes mais depressa do que o passeio à volta. Um exame visual rápido permite contorná-las - ou, pelo menos, preparar-se.

6. Não meta as mãos nos bolsos

O frio torna os bolsos tentadores, mas mãos escondidas não conseguem equilibrá-lo. Quando começa a escorregar, os braços funcionam como varas de equilibrista, ajustando-se rapidamente para manter o corpo direito.

Luvas ou mitenes são mais seguras do que bolsos: as mãos ficam quentes e prontas para o amparar se cair.

Se cair, braços livres ajudam a proteger a cabeça e a reduzir o impacto. Procure manter os ombros relaxados e os cotovelos ligeiramente fletidos, em vez de esticados; braços rígidos têm maior probabilidade de se lesionarem.

7. Escolha o lado mais seguro da rua

Em dias de inverno com sol, um lado da rua costuma estar muito menos gelado do que o outro. Passeios com sol direto durante grande parte da manhã descongelam mais depressa e mantêm-se mais seguros.

Superfície Nível de risco Notas
Passeio ao sol com sal/areão (grit) Baixo Muitas vezes parcialmente derretido; ainda assim, caminhe com cuidado.
Passeio à sombra Alto O gelo mantém-se o dia todo, mesmo que a temperatura do ar suba.
Escadas e rampas Alto A água acumula-se e volta a congelar; os corrimões são cruciais.
Parques de estacionamento e acessos a garagens Médio a alto Óleo e neve compactada reduzem ainda mais a fricção.

Em ruelas estreitas ou pátios onde o sol nunca chega, volte a procurar neve fresca e intacta e evite zonas brilhantes e acinzentadas. Redobre os cuidados em escadas, mesmo que pareçam apenas molhadas: é comum formar-se gelo fino e transparente em cada aresta.

8. Use bastões de caminhada ou um simples cajado

Para quem anda distâncias maiores ou se sente instável, bastões podem mudar tudo. Bastões de trekking ou de marcha nórdica, com ponteiras de inverno, dão pontos adicionais de contacto com o chão.

Dois pontos extra de apoio transformam cada passo numa mini “posição de quatro apoios”, distribuindo o peso e melhorando o equilíbrio.

Se não tiver bastões, até uma bengala robusta pode ajudar, sobretudo em caminhos rurais ou ruas inclinadas. Ajuste o comprimento para que o cotovelo fique ligeiramente fletido quando a bengala toca no chão perto do pé. Essa posição oferece a melhor alavancagem se escorregar.

9. Treine o corpo para cair de forma mais segura

Nenhuma precaução elimina todo o risco, por isso aprender a cair com menos dor pode reduzir os danos quando algo corre mal.

  • Se sentir que vai cair para a frente, tente fletir os cotovelos e os antebraços e deixá-los, em vez dos pulsos, fazer o primeiro contacto, e depois role ligeiramente para um lado.
  • Se estiver a tombar para trás, encoste o queixo ao peito e procure aterrar nas nádegas e na parte superior das coxas, não nas mãos.

O instinto de esticar as palmas das mãos para a frente parece natural, mas muitas vezes acaba em fraturas do punho. Artes marciais, aulas suaves de judo ou workshops de prevenção de quedas para pessoas idosas ensinam técnicas mais seguras num ambiente controlado e aumentam a confiança no dia a dia.

Porque é que o gelo negro é tão traiçoeiro

O gelo negro é uma camada fina e transparente de gelo que se forma em estradas e passeios, sobretudo depois de chuva ou quando neve derretida volta a congelar durante a noite. Como é quase invisível, as pessoas pisam-no a ritmo normal, completamente desprevenidas.

Superfícies frias como metal, degraus de pedra e asfalto à sombra são locais comuns. Uma regra simples ajuda: se a temperatura do ar estiver a 0 °C ou abaixo e o chão parecer ligeiramente molhado e invulgarmente brilhante, assuma que está congelado e abrande.

Construir a sua rotina pessoal de segurança no inverno

Uma forma prática de se manter mais seguro é tratar os dias de gelo como uma rotina especial, e não como “negócio do costume”. Imagine uma manhã típica de dia útil:

Verifica a previsão antes de se deitar e vê um aviso de geada. De manhã, calça botas aderentes e põe luvas em vez dos ténis habituais. Sai dez minutos mais cedo. Escolhe o lado da rua com sol e troca a mala de ombro por uma mochila. Ao chegar a uma zona suspeita perto da paragem, encurta a passada, afasta um pouco os braços e atravessa como um pinguim em patrulha.

Nada disto garante segurança total, mas cada pequena escolha puxa as probabilidades a seu favor. Em conjunto, estas nove táticas transformam uma marcha arriscada numa caminhada de inverno muito mais controlada - quer vá só às compras, quer esteja a deslocar-se numa cidade gelada.

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