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Torta enrolada de banana com caramelo salgado fofa e facil de enrolar

Mãos enrolando torta de banana e doce de leite sobre pano polvilhado com açúcar.

O aroma a banana madura e a açúcar a caramelizar é daquelas coisas que nos fazem pegar no telemóvel a meio da tarde e pesquisar “como é que isto se enrola sem partir?”. No meio de mensagens como “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” e “claro! por favor, indique o texto que pretende que eu traduza.” (aquelas respostas automáticas quando pedimos instruções diretas), há uma verdade simples: numa torta enrolada, o método pesa tanto como o sabor. E é precisamente isso que torna esta torta de banana com caramelo salgado fofa e fácil de enrolar - não é sorte, é ordem.

A maior parte das tortas falha por um motivo pouco bonito: coze demais, arrefece como não deve, e depois racha no instante em que devia ser macia e sedosa. Aqui, o objetivo é uma massa leve, elástica e húmida q.b. para ceder, e um recheio com estrutura para não escorrer.

O segredo de uma torta enrolada que não racha: elasticidade antes de pressa

Há um momento exato em que a massa está “no ponto” para enrolar: ainda quente, flexível, com vapor. Se esperas que arrefeça por completo, a superfície seca, ganha “memória” e parte como papel. Se tentas enrolar demasiado cedo e sem apoio, cola e rasga.

O que os pasteleiros fazem (e quase ninguém replica em casa) é treinar a massa: sai do forno, vai para um pano/papel com açúcar, enrola-se logo - mesmo sem recheio - e fica assim a ganhar forma. Este pré-enrolar resolve metade do stress.

A outra metade está na própria receita. Uma torta fofa e “dobrável” depende de ar incorporado (ovos bem batidos), pouca farinha (ou farinha peneirada) e cozedura curta num tabuleiro grande para ficar fina. A banana entra no recheio e/ou em puré na massa, mas sem exageros: fruta a mais na massa pode pesar e deixar a folha mais frágil.

Caramelo salgado sem stress: o ponto certo e o sal na hora certa

Caramelo salgado parece uma coisa sofisticada até ao segundo em que o açúcar passa de âmbar a queimado. Aqui a regra é: lume médio, atenção total e ingredientes já prontos. O sal não é só “gourmet”; corta o doce e faz a banana saber mais a banana, menos a sobremesa enjoativa.

O truque prático é parar o caramelo com natas quentes (ou, no mínimo, à temperatura ambiente). Natas frias fazem o caramelo borbulhar de forma agressiva e endurecer em pedaços, obrigando-te a mexer demasiado e a perder o ponto.

“Caramelo é como chá: mais vale tirar um pouco mais cedo do que tentar salvar depois de amargar”, dizia-me uma pasteleira numa cozinha que cheirava a manteiga tostada.

Receita: massa fofa + banana + caramelo salgado (tabuleiro 30×40 cm)

Ingredientes (massa)

  • 4 ovos L, à temperatura ambiente
  • 120 g açúcar
  • 1 c. chá extrato de baunilha (opcional)
  • 90 g farinha sem fermento (peneirada)
  • 1 c. chá fermento em pó (opcional, ajuda a margem de segurança)
  • 1 pitada de sal
  • 30 ml leite
  • 20 g manteiga derretida (morna, não quente)

Ingredientes (caramelo salgado)

  • 120 g açúcar
  • 40 g manteiga
  • 100 ml natas (ligeiramente aquecidas)
  • 1/2 c. chá flor de sal (ajusta a gosto)

Ingredientes (recheio)

  • 2–3 bananas maduras mas firmes, às rodelas finas
  • 200 ml natas para bater ou 250 g mascarpone (uma das opções)
  • 1–2 c. sopa açúcar em pó (se usares natas)
  • 1 c. chá sumo de limão (para a banana não escurecer)

Preparação (passo a passo)

  1. Pré-aquece o forno a 190 ºC (ventilado 180 ºC). Forra um tabuleiro 30×40 cm com papel vegetal, deixando abas para puxar no fim.
  2. Bate ovos + açúcar 6–8 minutos, até ficar muito volumoso e claro (ponto “fita”: ao levantar a vara, cai uma fita que se mantém uns segundos). Junta baunilha e sal.
  3. Incorpora a farinha (e fermento) peneirada, em 2–3 adições, com movimentos suaves de baixo para cima. Não “batas”, envolve.
  4. Emulsiona o leite e a manteiga: mistura-os à parte e junta uma pequena porção de massa primeiro (para “aligeirar”), só depois verte no resto e envolve delicadamente.
  5. Espalha e coze: verte no tabuleiro e alisa depressa. Coze 8–10 minutos, até ficar apenas dourada e elástica ao toque. Se secar, vai rachar.
  6. Enrola ainda quente (pré-enrolar): polvilha um pano limpo ou uma folha de papel vegetal com um pouco de açúcar. Vira a massa para cima desse pano/papel, retira o papel vegetal de cozedura com cuidado e enrola de imediato (com o pano/papel a ajudar). Deixa arrefecer enrolada, 20–30 minutos.
  7. Faz o caramelo: num tacho, derrete o açúcar até âmbar. Junta a manteiga, mexe. Tira do lume e adiciona as natas aos poucos (vai borbulhar). Volta ao lume baixo 30–60 s para ficar liso. Junta a flor de sal. Arrefece até ficar cremoso (não líquido).
  8. Prepara o creme:
    • Se usares natas, bate com açúcar em pó até picos firmes.
    • Se usares mascarpone, amolece com uma colher e, se quiseres, junta 1–2 c. sopa de caramelo para perfumar.
  9. Recheia: desenrola a massa já fria. Barra uma camada fina de caramelo (sem encharcar), depois o creme, e por cima as rodelas de banana passadas em sumo de limão.
  10. Enrola final com firmeza gentil. Envolve em papel vegetal e leva ao frio 30–60 minutos para estabilizar. Finaliza com fios de caramelo e uma pitada mínima de flor de sal.

O que torna esta torta “fácil de enrolar” (e não é magia)

A diferença está em três gestos pequenos, quase invisíveis, que mudam tudo na hora de enrolar. Primeiro, a massa fica fina e coze pouco; segundo, é pré-enrolada ainda quente; terceiro, o recheio é montado em camadas que aguentam, em vez de escorrer.

Se queres um acabamento mesmo limpo, deixa uma margem de 1–2 cm sem recheio na ponta final (a que fica no exterior). Assim evitas que o creme seja empurrado para fora e crie bolsas ou rachas por pressão.

Ponto-chave O que fazer Porque funciona
Cozedura curta 8–10 min, só até elástica Evita secar e quebrar ao dobrar
Pré-enrolar quente Enrolar sem recheio e arrefecer assim “Ensina” a massa a curvar sem rachar
Caramelo cremoso Arrefecer até espesso antes de barrar Dá sabor sem encharcar a folha

Erros comuns (e como salvar sem dramatizar)

  • A massa rachou ao enrolar: normalmente está demasiado cozida ou arrefeceu aberta. Salva com creme por cima e assume “torta tronco” - o sabor continua lá.
  • O caramelo ficou duro: volta ao lume baixíssimo com 1–2 c. sopa de natas e mexe até dissolver.
  • O recheio escorreu: caramelo muito quente ou creme pouco batido. Frigorífico 20–30 min antes de enrolar pode salvar a estrutura.
  • Banana escureceu: usa banana mais firme, rodelas finas e limão. Ou coloca a banana entre camadas de creme, menos exposta ao ar.

FAQ:

  • Posso fazer a torta no dia anterior? Sim. Até fica melhor: o frio estabiliza o recheio e o corte sai mais limpo. Guarda bem envolvida para não absorver cheiros do frigorífico.
  • Dá para congelar? Dá, mas a banana pode mudar ligeiramente de textura ao descongelar. Se quiseres congelar, considera usar apenas caramelo + creme (sem rodelas) e adicionar banana fresca no dia.
  • Posso usar bananas muito maduras? Para rodelas, prefere firmes. As muito maduras são ótimas para um puré pequeno misturado no creme, mas em excesso podem largar líquido.
  • Como sei que a massa está cozida no ponto certo? Toca ao de leve: deve recuar e não deixar marca húmida. Se começar a dourar muito nas bordas, já passou do ideal para enrolar.
  • Flor de sal é obrigatória? Não, mas faz diferença. Se só tiveres sal fino, usa uma pitada muito pequena e prova o caramelo antes de ajustar.

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