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Bomba de calor no inverno porque perde eficiencia com a geada e como evitar surpresas

Homem a verificar unidade exterior de ar condicionado congelada usando termómetro digital.

Às 6:40, com o frio a bater nas janelas, abre a app da bomba de calor para tentar perceber porque é que a casa parece “menos quente” do que ontem. Copia o aviso do ecrã para um tradutor e a resposta automática aparece, seca: “of course! please provide the text you would like me to translate.”, seguida do “claro! por favor, forneça o texto que deseja que eu traduza.” - e você fica exatamente na mesma. Só queria uma explicação direta: o que mudou durante a noite para a eficiência descer e a fatura subir.

O mais irritante é que, lá fora, não parece estar a acontecer nada de especial. Não é uma tempestade, nem uma vaga de frio histórica. É apenas aquela mistura típica do inverno húmido: temperatura perto de zero, neblina, relva branca de geada e uma unidade exterior a trabalhar sem descanso.

A geada não é só “gelo”: é um travão à troca de calor

A bomba de calor vive de uma lógica simples: retirar calor do ar exterior e trazê‑lo para dentro. No inverno, para conseguir “roubar” calor ao ar frio, a serpentina da unidade exterior tem de operar a temperaturas ainda mais baixas do que o ambiente. Se o ar estiver húmido e próximo do ponto de congelação, a água condensa na serpentina e acaba por congelar.

Esse gelo faz duas coisas em simultâneo: reduz a área útil de troca térmica e limita o fluxo de ar. Na prática, a máquina precisa de mais tempo e mais eletricidade para entregar o mesmo conforto. E a eficiência (COP) cai precisamente quando você mais precisa dela.

Há um pormenor que apanha muita gente: muitas perdas não vêm de “muito frio”, mas de “frio + humidade”. Noites com 1–4 °C e nevoeiro podem ser piores para a formação de geada do que uma noite seca com -2 °C.

O que acontece durante o degelo (e porque parece que a bomba “falhou”)

Quando a unidade exterior acumula gelo, a bomba de calor entra em ciclos de degelo. Em muitos modelos, isso significa inverter temporariamente o ciclo para aquecer a serpentina exterior e derreter a geada. Durante esses minutos, a energia é desviada para “descongelar”, em vez de aquecer a casa.

Dentro de casa, isto pode notar-se como: - ar menos quente nas grelhas (ou radiadores a arrefecerem); - uma ligeira descida da temperatura ambiente; - consumo elétrico a subir em picos, sem um ganho proporcional de conforto.

Isto não é, por si só, uma avaria. É o sistema a proteger-se e a recuperar a capacidade de troca térmica. O “susto” aparece quando os degelos se tornam demasiado frequentes - e aí a pergunta deixa de ser “porque faz degelo?” e passa a ser “porque é que está a ganhar tanta geada tão depressa?”.

As causas mais comuns de geada excessiva (as que passam despercebidas)

A maioria das surpresas no inverno vem de fatores simples, acumulados, e pouco visíveis. Não costuma ser um único problema grande; é um conjunto de pequenos travões.

Alguns suspeitos habituais:

  • Unidade exterior mal posicionada ou “entalada”: demasiado encostada a uma parede, atrás de uma sebe, num canto onde o ar recircula frio e húmido.
  • Drenagem do degelo a congelar: a água derretida escorre, volta a gelar no tabuleiro ou no chão e cria uma “barragem” de gelo que piora o ciclo seguinte.
  • Filtros interiores sujos / caudal baixo: menos ar a circular, mais esforço do compressor, temperaturas de trabalho menos favoráveis.
  • Temperatura de ida demasiado alta (em sistemas hidrónicos): radiadores a pedir água muito quente obrigam a bomba de calor a trabalhar num regime menos eficiente.
  • Horários agressivos e “liga/desliga”: grandes recuperações de temperatura de manhã podem empurrar a máquina para potência máxima, precisamente quando está mais fragilizada pela geada.

Como evitar surpresas: pequenos gestos que mudam o inverno

Não precisa de transformar a casa numa central técnica. Precisa, isso sim, de reduzir as condições que alimentam a geada e de evitar opções de controlo que obrigam a máquina a “lutar” contra o clima.

Experimente este conjunto de medidas (as mais eficazes primeiro):

  1. Garanta espaço e ar livre na unidade exterior
    Retire folhas, objetos e mantenha folgas à volta (consulte o manual, mas pense em dezenas de centímetros, não “mesmo à justa”).

  2. Resolva a drenagem do degelo
    Confirme que a água escoa sem formar poças que depois gelam. Em zonas muito frias/húmidas, pode fazer sentido elevar a unidade, melhorar o escoamento e evitar que o degelo congele no próprio percurso.

  3. Não “baixe demasiado” a temperatura à noite
    Um setback grande parece poupança, mas muitas vezes obriga a uma recuperação intensa de manhã, com COP pior. No inverno húmido, a estabilidade costuma ser amiga da eficiência.

  4. Abaixe a temperatura de ida (se tiver radiadores/depósito)
    Quanto mais baixa a temperatura da água para o mesmo conforto, melhor. Ajustes de curva climática/compensação meteorológica tendem a ajudar.

  5. Limpe filtros e confirme caudais
    Filtro sujo = menos transferência de calor = mais tempo a trabalhar = mais oportunidades para formar gelo.

  6. Fuja do “Auto” cego nos dias críticos
    Se o sistema alterna vezes a mais, experimente um modo e um setpoint consistentes durante dias de nevoeiro e 0–5 °C, e veja se os degelos estabilizam.

  7. Faça manutenção preventiva antes do pico do inverno
    Pressões, carga, ventiladores, sensores e tabuleiro de condensados. Pequenos desvios podem transformar um inverno normal num inverno caro.

Se quiser um teste rápido, faça isto numa manhã de geada: observe a unidade exterior durante 10–15 minutos. Se notar gelo a acumular rapidamente, ou se o degelo deixar uma placa que volta a congelar por baixo, encontrou um motivo concreto para a perda de eficiência.

Ponto-chave O que está a acontecer Ganho para si
Geada bloqueia a serpentina Menos ar e menos troca térmica COP mais baixo e mais consumo
Degelo “rouba” minutos de aquecimento Energia vai para derreter gelo Quebras de conforto e picos na fatura
Drenagem e caudais decidem o jogo Água a gelar + filtros sujos pioram tudo Menos degelos, operação mais estável

Um mini-checklist para noites de inverno húmido

Antes de ir dormir (ou antes de culpar a máquina), pergunte: - A unidade exterior tem ar livre, ou está num “canto frio”? - A água do degelo consegue escoar sem voltar a congelar? - A casa vai precisar de uma grande “recuperação” de manhã por causa do termóstato? - Os filtros estão limpos e o caudal é normal? - A temperatura de ida (se aplicável) está mais alta do que o necessário?

FAQ:

  • Porque é que a bomba de calor parece aquecer menos quando há geada? Porque a geada reduz a capacidade da unidade exterior de captar calor do ar e obriga a ciclos de degelo, nos quais parte da energia é usada para derreter gelo em vez de aquecer a casa.
  • Os ciclos de degelo significam avaria? Não necessariamente. São normais em condições frias e húmidas. O problema é quando ficam demasiado frequentes ou longos, o que costuma indicar drenagem deficiente, pouco caudal de ar, ou condições de instalação/controlo pouco favoráveis.
  • Baixar muito a temperatura à noite ajuda a poupar? Muitas vezes, no inverno, não. Pode piorar a eficiência ao forçar uma recuperação agressiva em horas frias e húmidas, quando a bomba de calor trabalha com COP mais baixo.
  • O que é mais urgente verificar para evitar “surpresas” na fatura? Drenagem do degelo (para não voltar a congelar), filtros/caudal e configurações de temperatura (setbacks e temperatura de ida). São ajustes simples que costumam ter impacto real.
  • Quando devo chamar assistência técnica? Se houver gelo persistente que não desaparece após o degelo, ruídos anormais, falhas/alarme recorrentes, consumo muito acima do habitual sem explicação, ou sinais de ventilador fraco/sensores a comportarem-se de forma errática.

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