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Massada de pota malandrinha a receita simples e bem temperada que conforta

Panela de barro com sopa quente de macarrão e vegetais, sendo servida com uma colher de madeira.

Num grupo de família no WhatsApp, alguém manda “claro! por favor, envie o texto que deseja traduzir.” e logo surge outro “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” - e, de repente, percebes que o que precisavas não era tradução nenhuma. Era uma receita que te resolvesse o jantar com o que tens no congelador, sem frescuras e com sabor a casa. A massada de pota malandrinha entra exactamente aí: fácil, bem apurada e com aquele caldo curto que conforta quando o dia pesa.

Há pratos que não exigem perfeição, exigem cuidado. Um refogado bem feito, um toque de vinho, a massa a acabar de cozer no molho já perto do fim, e dois minutos de descanso para “assentar” antes de ir à mesa. É isto que separa uma massada apenas correcta de uma massada que sabe a abraço.

Porque é que a massada “malandrinha” funciona sempre

O encanto da massada está no equilíbrio: caldo suficiente para envolver a massa, mas não tanto que se transforme em sopa. A pota ajuda, porque aguenta temperos mais fortes e fica tenra quando é tratada com respeito - lume médio, tempo certo, e nada de a deixar lá “até ao fim dos tempos”.

Além disso, é um prato tolerante. Se não há tomate fresco, reforças com mais polpa e pimentão-doce; se o molho engrossou demais, soltas com água quente. O essencial é manter o sabor bem concentrado e acertar o ponto no final, quando a massa “pede” o que lhe falta.

A receita base (e o que tens mesmo de garantir)

Ingredientes (4 pessoas)

  • 600–800 g de pota limpa (em tiras ou cubos)
  • 250 g de massa curta (cotovelos, macarronete, argolinhas)
  • 1 cebola grande picada
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 folha de louro
  • 1/2 pimento vermelho em cubinhos (opcional, mas dá doçura)
  • 2 tomates maduros picados ou 250 ml de polpa de tomate
  • 120 ml de vinho branco
  • 700–900 ml de água quente (ou caldo de peixe leve), conforme o ponto
  • 1 c. chá de pimentão-doce
  • 1 pitada de cominhos (opcional)
  • Piripíri a gosto
  • Azeite, sal e pimenta preta
  • Coentros picados (ou salsa) para finalizar

Preparação, sem pressa onde importa

  1. Refogado com base séria: num tacho largo, aquece um fio generoso de azeite e refoga a cebola com o louro e uma pitada de sal. Quando estiver macia e translúcida, junta o alho e mexe só até libertar aroma, sem deixar queimar.
  2. Tomate e temperos: adiciona o tomate (ou a polpa), o pimentão-doce, pimenta e (se usares) cominhos. Deixa apurar 5–8 minutos, até perder o travo cru e ficar mais “escuro” e espesso.
  3. Pota e vinho: junta a pota, envolve bem e deixa ganhar cor 2–3 minutos. Rega com o vinho branco e deixa o álcool evaporar por completo, raspando o fundo do tacho para soltar o que está agarrado.
  4. Cozedura controlada: junta 700 ml de água quente (ou caldo), tapa e cozinha em lume médio-baixo 20–30 minutos, até a pota ficar tenra. Vai provando: há pota que pede mais 10 minutos, e isso manda mais do que o relógio.
  5. A massada propriamente dita: prova o molho, ajusta sal e piripíri, e só depois junta a massa. Cozinha destapado, mexendo de vez em quando, e vai acrescentando água quente aos poucos até ficar “malandrinha” - caldo curto, brilhante e a envolver a massa.
  6. Descanso e final: desliga quando a massa estiver quase al dente (ela termina no repouso). Espera 2 minutos, junta coentros e serve de imediato.

O “truque” que dá aquele caldo curto sem ficar empapado

O ponto da massada decide-se no fim, e isso tira-te metade do stress. Em vez de juntares toda a água de uma vez, mantém sempre uma caneca de água quente ao lado do fogão e vai corrigindo com pequenas adições, como quem afina um molho.

E há uma regra simples que quase nunca falha: desliga o lume quando ainda te parece que falta “um nadinha”. A massa continua a absorver, e esse minuto de descanso é o que transforma líquido solto em molho aveludado.

Erro comum O que acontece Como evitar
Cozer a massa demasiado tempo Fica pastosa e “engole” o caldo Desligar quase al dente + 2 min de repouso
Meter água a mais no início Dilui e perde-se a concentração de sabor Ajustar aos poucos com água quente
Apurar pouco o tomate Molho ácido e com sabor “cru” Deixar reduzir até ficar mais escuro e espesso

Variações rápidas (sem estragar o espírito)

  • Mais mar: junta um punhado de camarão nos últimos 3–4 minutos, só para aquecer e ficar suculento.
  • Mais conforto: troca parte da água por um caldo leve (pouco salgado) e termina com um fio de azeite cru.
  • Mais “tinto” e rico: acrescenta uma colher de sobremesa de concentrado de tomate no refogado, antes do tomate.

FAQ:

  • Posso fazer com lulas em vez de pota? Sim. As lulas cozinham mais depressa, por isso reduz a cozedura antes de juntares a massa; caso contrário, podem ficar rijas.
  • A pota fica dura. O que fiz mal? Normalmente é falta de tempo em lume médio-baixo ou cozedura irregular. Mantém uma fervura suave e dá-lhe mais 10–15 minutos, acrescentando água quente se for preciso.
  • Que massa é melhor para massada? Massas curtas e “ocas” (cotovelos, macarronete) agarram bem o molho. Evita massa muito fina, que passa do ponto num instante.
  • Dá para congelar? Dá, mas a massa amolece ao descongelar. Se quiseres congelar, faz o molho com a pota e congela sem massa; no dia, ferve e coze a massa na hora.
  • Como ajusto o picante sem estragar o prato? Usa piripíri aos poucos e vai provando. Se passares, mais um pouco de tomate e um fio de azeite ajudam a “arredondar” o calor.

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