Copiou um link do Facebook, colou-o numa conversa e, de repente, surgiu uma cauda interminável de letras e números - e, pelo meio, algo como “of course! please provide the text you'd like me to translate.”, seguido de “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.”. Isto acontece muitas vezes quando andamos a saltar entre redes sociais e ferramentas de tradução/IA: o link vem “sujo” com identificadores de rastreio, e quem recebe fica sem perceber o que é normal e o que é seguro partilhar. Perceber o que significam estes parâmetros (e como os retirar) ajuda a proteger a sua privacidade e torna tudo mais legível, sobretudo em emails, documentos e mensagens de trabalho.
A situação é típica: está com pressa, quer apenas enviar “o link”, e acaba por mandar um bloco que parece malware. Não é necessariamente perigoso, mas é quase sempre dispensável - e revela mais sobre a origem do clique do que a maioria das pessoas pensa.
O que é este “fbclid” e porque aparece em tantos links
O fbclid é um parâmetro que o Facebook (e apps relacionadas) acrescenta a muitos links quando alguém lhes clica dentro da plataforma. Em termos simples, é um identificador de clique usado para medir tráfego e atribuição: de onde veio a visita, que campanha resultou, que partilha gerou cliques.
O problema prático não é “o seu nome está lá”. O problema é que este tipo de parâmetro:
- deixa o link enorme e pouco elegante (e por vezes estraga a formatação em chats);
- pode baralhar quem recebe, por parecer spam;
- pode permitir correlações entre cliques e sessões, dependendo de como o site de destino mede tráfego.
Sejamos honestos: quase ninguém quer saber de marketing quando só está a tentar enviar uma notícia ao grupo da família.
Porque isto importa mais do que parece (mesmo que “não tenha nada a esconder”)
O ponto é o efeito cumulativo. Hoje é um fbclid, amanhã é um utm_source, depois um gclid, e quando dá por si está a partilhar links com uma pegada completa do seu caminho digital - sem qualquer intenção.
Além disso, links longos têm um custo social: geram menos confiança. Em contexto profissional, um URL cheio de parâmetros pode fazer colegas hesitarem antes de abrir, ou levá-los a pedir confirmação (“isso é seguro?”), atrasando algo que devia ser simples.
E há ainda o lado prático: alguns sites servem páginas diferentes (ou fazem redireccionamentos) com base nesses parâmetros. Não acontece sempre, mas quando acontece, o link “sujo” pode falhar mais cedo do que o link limpo.
A regra rápida: o que pode apagar sem medo
Na maioria dos casos, pode remover tudo o que vem depois do ponto de interrogação ? no URL - ou, pelo menos, apagar parâmetros conhecidos de rastreio - e o link continua a funcionar.
Exemplo típico:
- Antes:
https://exemplo.com/artigo?fbclid=...&utm_source=... - Depois:
https://exemplo.com/artigo
Nem sempre dá para apagar tudo (há sites que usam parâmetros para mostrar a página certa), mas fbclid raramente é necessário para abrir o conteúdo.
➡️ Sinal simples: se o link abre igual sem o parâmetro, deixe-o limpo e siga.
➡️ Sinal de cautela: se a página dá erro sem parâmetros, remova apenas os óbvios (fbclid, utm_*, gclid) e teste.
Como limpar um link em 20 segundos (sem apps e sem “truques” complicados)
A forma mais rápida é manual - e funciona em qualquer telemóvel:
- Cole o link numa nota (ou na barra de endereço do browser).
- Procure o
?. Tudo o que vem a seguir costuma ser parâmetros. - Apague do
?até ao fim e confirme se o site continua a abrir. - Se não abrir, volte atrás e remova só os parâmetros de rastreio mais comuns:
fbclid=...utm_source=...,utm_medium=...,utm_campaign=...(e outrosutm_*)gclid=...(muito comum em anúncios)
- Teste abrindo o link já limpo antes de o enviar.
O detalhe que evita surpresas: alguns chats encurtam ou “partem” links longos, sobretudo quando há underscores, hífens e percent-encoding. Ao limpar, melhora a taxa de abertura porque o link fica completo e reconhecível.
O caso estranho: quando o link inclui texto “de conversa” (e não devia)
Aquelas sequências em que aparecem frases como “of course! please provide the text you'd like me to translate.” ou “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” costumam resultar de uma destas situações:
- colou conteúdo misturado (link + texto de chat) e o separador perdeu-se;
- copiou de um bloco onde o URL ficou colado a uma resposta automática;
- uma plataforma acrescentou um fragmento ou parâmetro de pré-visualização e o copiar/colar apanhou tudo.
A solução é a mesma: isolar o URL real. Um truque simples é procurar o início (http:// ou https://) e cortar tudo o que vier antes. Depois, procurar o fim: normalmente termina no domínio e no caminho (até .html, /artigo, etc.) e não precisa de “caudas” gigantes.
O pequeno hábito que evita o problema para sempre
Em vez de tentar “limpar” depois, crie um ritual mínimo, daqueles que cabem na vida real:
- Abra o link no browser fora da app (quando possível).
- Copie o URL da barra de endereço já com a página carregada.
- Antes de enviar, faça uma leitura de 2 segundos: se vir
fbclidouutm_, apague.
Isto não é paranoia. É higiene digital, como fechar separadores que já não usa. Quanto mais repetir, mais automático fica - e deixa de enviar links que parecem acidentes.
| O que está no link | Para que serve | O que fazer |
|---|---|---|
fbclid=... |
Identificador de clique do Facebook | Remover |
utm_* |
Medição de campanhas/partilhas | Remover (na maioria dos casos) |
gclid=... |
Atribuição de anúncios (Google) | Remover |
Quando não deve cortar tudo após o “?”
Há exceções, e vale a pena conhecer duas para não se chatear:
- Pesquisa e filtros: lojas online e sites de anúncios usam parâmetros para apresentar resultados específicos (
?q=...,?categoria=...). Se remover, pode perder a pesquisa. - Convites e acessos: links de reuniões, formulários ou partilhas privadas podem depender de um token no URL. Se remover, deixa de funcionar.
A boa prática aqui é testar: se abrir sem parâmetros, perfeito. Se não abrir, remova apenas o que reconhece como rastreio e mantenha o que for essencial.
A tranquilidade discreta de enviar links “limpos”
Há uma diferença subtil entre “enviei o link” e “enviei um link que qualquer pessoa percebe e em que confia”. Não dá likes, não parece produtividade, mas poupa tempo e reduz ruído em conversas, tickets de suporte e emails.
E, num mundo em que tudo tenta medir tudo, remover o que não é necessário é uma forma pequena - mas real - de ter mais controlo sobre o que partilha.
FAQ:
- O que é exatamente o
fbclid? É um parâmetro de rastreio adicionado pelo Facebook para identificar cliques e medir atribuição; normalmente não é necessário para abrir a página.- Remover
fbclidpode estragar o link? Quase nunca. Na maioria dos sites, o conteúdo abre normalmente sem esse parâmetro.- É seguro abrir links com
fbclid? Em geral, sim - o parâmetro por si só não é um vírus. O risco depende do site de destino, como em qualquer link.- Posso apagar tudo depois do
?sempre? Nem sempre. Alguns sites usam parâmetros para pesquisa, filtros ou tokens de acesso. O ideal é apagar, testar e repor apenas o que for essencial.- Porque é que às vezes aparecem frases de chat misturadas no link? Normalmente é um erro de copiar/colar de uma conversa ou de um bloco de texto onde o URL ficou colado a mensagens automáticas. O melhor é isolar o
https://...e cortar o resto.
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