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Mãos seguram papel com URL riscada; relógio, laptop e chá na mesa.

Pessoa risca texto com caneta vermelha numa folha de papel. Mesa com chávena de café ao fundo.

Ontem, a meio de um chat de trabalho, apareceu a frase “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” depois de eu ter colado um link enorme e confuso. O mais engraçado é que a mesma resposta - “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.” - surge em vários assistentes e formulários quando o sistema não consegue perceber o que estamos a pedir. Para quem vive entre WhatsApp, e‑mail e redes sociais, isto conta mais do que parece: um pedido mal formulado (ou um link “sujo”) rouba tempo, aumenta a probabilidade de erros e ainda pode expor dados desnecessários.

Eu só queria partilhar um artigo com um familiar. Em vez de um URL limpo, acabei por copiar algo que parecia um desastre: parâmetros intermináveis, “fbclid”, códigos, sublinhados, letras e números sem fim. Do outro lado veio um “o que é isto?” e eu percebi: o problema não era a tradução. Era a clareza.

O que estes links gigantes estão a fazer (sem pedir licença)

Muita gente acha que um link é apenas um caminho para uma página. Mas estes “apêndices” - fbclid, aem, e semelhantes - costumam ser marcadores de rastreio e atribuição. Servem para medir de onde veio o clique, qual foi a campanha, que partilha resultou.

Na prática, quando partilhas o link exactamente como está:

  • estás a enviar informação a mais que não ajuda quem vai ler;
  • aumentas a hipótese de o link falhar (em apps que cortam URLs longos);
  • e crias ruído que deixa as pessoas desconfiadas - com alguma razão.

Não é paranóia. É higiene digital.

E, tal como na energia depois dos 60 ou na disciplina dos hábitos, há uma regra simples que resolve grande parte do problema: reduzir a fricção logo no início.

A regra simples que me poupou tempo: “três limpezas antes de colar”

Aprendi isto da forma mais comum possível: depois de demasiadas vezes a explicar “não, não é vírus, é só o link do Facebook”. Hoje faço sempre três coisas antes de enviar um URL ou pedir uma tradução.

1) Cortar tudo o que vem depois do “?” (quando for rastreio óbvio)

Muitas páginas abrem perfeitamente sem os parâmetros. Se o teu link tem esta estrutura:

https://site.com/artigo?fbclid=...&aem=...

tenta ficar apenas com:

https://site.com/artigo

Nem sempre funciona (há sites que usam parâmetros para carregar conteúdo), mas surpreendentemente часто resulta. A ideia não é ser técnico: é ser prático.

2) Confirmar com uma abertura rápida

Abro o link limpo no browser, só para confirmar que a página carrega. Demora 10 segundos e evita o pingue‑pongue do “não dá / dá sim / manda outra vez”.

3) Escrever uma frase humana antes do link

Em vez de despejar o URL, envio contexto:

  • “É sobre como gerir energia em dias longos.”
  • “Resume um método de hábitos de 5 minutos.”
  • “Isto explica porque o link vinha cheio de códigos.”

Essa frase é a diferença entre “spam” e “recomendação”.

Onde entra “claro! por favor, forneça o texto que deseja traduzir.”

Esta resposta aparece quando pedimos a ferramenta errada para o conteúdo errado. Um tradutor (humano ou automático) não consegue “traduzir” um link - no máximo, consegue abrir a página e tentar adivinhar qual é o texto. Quando o sistema pede “forneça o texto”, está a dar uma pista útil: dá-me matéria-prima, não um atalho.

A forma mais eficiente de pedir uma tradução não é “aqui vai um link”. É:

  • colar o excerto relevante (o parágrafo, não o site inteiro);
  • indicar o tom (“formal”, “mais simples”, “português de Portugal”);
  • explicar para que serve (“para enviar a um cliente”, “para um trabalho da escola”).

Isto não é preciosismo. É cortar retrabalho.

Um exemplo real: como um pedido vago cria uma tradução fraca

Imagina duas mensagens.

Pedido A (vago):
“Traduz isto” + link gigante com rastreio.

O assistente responde com variações de “envia o texto”, ou dá um resultado superficial, ou perde-se no meio de anúncios e menus.

Pedido B (claro):
“Podes traduzir este parágrafo para PT-PT, mantendo um tom próximo e simples? É para partilhar com a minha mãe.” + 6–10 linhas do texto.

Aqui a ferramenta trabalha como deve ser. Tu também.

O segredo é quase irritante: quanto mais pequeno e específico for o input, melhor sai o output.

Um mini-sistema de 5 minutos para nunca mais adiar (nem envergonhar o chat)

Quando estamos cansados, fazemos o que dá menos trabalho: copiar, colar, enviar. Por isso, o truque não é “ter mais cuidado”. É criar um passo tão pequeno que acontece mesmo em dias maus.

Experimenta este ritual mínimo:

  • Antes de partilhar um link: remove tudo depois do ? e testa abrir.
  • Antes de pedir tradução: cola só o excerto que interessa e indica o objetivo.
  • Antes de enviar: acrescenta uma frase de contexto.

Parece pouco. Mas é exactamente o tipo de “micro-hábito” que evita 15 minutos de confusão mais tarde.

Passo O que faz Resultado
Limpar o URL Remove rastreio e ruído (?fbclid=...) Link mais curto e fiável
Teste rápido Abre o link limpo Menos “não dá / dá sim”
Pedido com contexto Cola excerto + tom + finalidade Traduções mais úteis

O que muda quando tratas isto como higiene, não como perfeccionismo

Há uma diferença enorme entre “ser picuinhas” e “poupar energia social”. Links gigantes e pedidos vagos criam atrito: obrigam a outra pessoa a decifrar, desconfiar, perguntar outra vez. E obrigam-te a explicar, justificar, reenviar.

Quando limpas o link e pedes a tradução com o texto certo, a conversa fica leve. As pessoas respondem ao conteúdo, não ao caos à volta do conteúdo.

E há um efeito secundário silencioso: tu próprio começas a comunicar melhor. Não porque te tornaste “mais produtivo”, mas porque deixaste de despejar informação em bruto.

FAQ:

  • Como sei se posso apagar tudo depois do “?” no link? Na maioria dos artigos e notícias, podes. Se o link deixar de abrir ou passar a mostrar uma página errada, então esse site depende de parâmetros - nesse caso, mantém apenas o mínimo necessário.
  • O “fbclid” é perigoso? Normalmente é um identificador de clique (rastreio), não um vírus. O problema é mais privacidade, ruído e desconfiança do que perigo imediato.
  • Porque é que um tradutor pede “forneça o texto”? Porque um link, por si só, não é conteúdo traduzível. Colar o excerto dá ao sistema (ou à pessoa) aquilo de que realmente precisa para trabalhar bem.
  • Qual é o melhor formato para pedir uma tradução? Excerto curto + idioma desejado + tom + finalidade (“para e‑mail formal”, “para legenda”, “para PT‑PT simples”).
  • Isto não é trabalho a mais? É trabalho a menos, só que colocado no sítio certo: 30 segundos antes, em vez de 10 minutos de confusão depois.

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