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Adeus à air fryer: um novo aparelho de cozinha oferece nove modos de cozinhar, muito além da fritura tradicional.

Forno a vapor com salmão e legumes, numa cozinha moderna; sobremesas e frutos secos ao lado.

A primeira vez que o vi, o air fryer estava amuado num canto da bancada, encostado lá atrás, atrás da máquina de café. Um aparelho novo em folha, ligeiramente futurista, tinha ocupado o lugar - ainda com película protetora no ecrã e o manual meio aberto, como um livro que quer ler mas não se atreve a começar. O dono, um pai ocupado que antes jurava fidelidade às batatas fritas congeladas e aos nuggets, parecia quase culpado. “Acho que acabei de trair o meu air fryer”, riu-se, meio a sério.

Vapor, marcas de grelha, bordos estaladiços… tudo saía deste único aparelho, prato após prato, sem ninguém a pairar sobre o fogão.

Algo discretamente revolucionário está a acontecer nas nossas cozinhas.

De air fryer de uma só função a maravilha de nove modos

Ao início, o air fryer parecia magia. Menos óleo, menos culpa, texturas crocantes que facilitavam as noites de semana. Depois veio o lado menos bom: mais um trambolho na bancada, espaço limitado no interior e um sabor que muitas vezes parecia sempre o mesmo, fosse o que fosse que cozinhasse. As pessoas começaram a publicar fotos de jantares inteiros enfiados em cestos, metade a vapor, metade ressequidos. A novidade ainda tinha graça, mas os limites tornaram-se óbvios.

Agora, uma nova geração de cozinheiros multifunções está a entrar em cena, oferecendo até nove métodos de confeção num só aparelho. De repente, o air fryer parece quase… básico.

Imagine: um aparelho compacto que consegue fritar com ar, cozinhar a vapor, cozinhar lentamente, cozinhar sob pressão, saltear, cozer/assar, grelhar, reaquecer e desidratar. Coloca salmão e legumes de manhã com início programado, lança um guisado em cozedura lenta ao almoço e depois muda para o modo de “crocância” mesmo antes do jantar. A mesma panela, a mesma máquina, quase sem loiça.

Uma bloguer francesa de comida partilhou recentemente o seu “desafio de uma semana nove-em-um”: cozinhou todas as refeições com um único aparelho multifunções. Sem forno, quase sem frigideira. Acabou por reduzir o tempo de cozinha em 40%, mas o que mais a surpreendeu foi o sabor. O frango assado dela, primeiro a vapor e depois estaladiço, superou tudo o que fizera no forno. Os seguidores não pediram a receita. Perguntaram pelo modelo.

Porque é que esta mudança acontece agora? Porque o air fryer fazia uma coisa muito bem, mas a vida moderna exige mais do que um truque. As famílias querem menos aparelhos e mais opções. As cozinhas nas cidades estão a encolher, os preços da energia são instáveis e ninguém quer aquecer um forno inteiro para um pequeno gratinado.

Os aparelhos de nove modos respondem exatamente a essa pressão. Pode cozinhar lentamente em horas de vazio, cozinhar a vapor peixe delicado sem o secar e, ainda assim, conseguir aquele acabamento dourado e crocante que toda a gente adora. A passagem do air fryer não é rejeitar comida estaladiça. É ter a mesma crocância, mais tenrura e mais versatilidade, numa máquina que justifica o espaço na bancada.

Como cozinhar realmente melhor com um aparelho de nove modos

O poder secreto destes novos aparelhos está em combinar modos - não apenas em substituir o cesto do air fryer por uma panela mais funda. Um método simples: pense em duas fases. Primeiro, cozinhe com suavidade (vapor, cozedura lenta ou pressão). Depois, finalize de forma intensa (fritar com ar, grelhar ou cozer/assar) para acrescentar cor e textura.

Pegue em coxas de frango. Comece com 15 minutos a vapor ou sob pressão com especiarias e um pouco de caldo. Quando estiverem tenras e suculentas, mude o aparelho para o modo air-fry ou grelha por 8–10 minutos. O resultado? Carne que se solta do osso com uma pele estaladiça que juraria ter saído de um forno tradicional.

Muita gente liga um aparelho de nove modos e só usa dois botões: “air fry” e “reaquecer”. Depois queixa-se de que “é só mais um gadget”. A verdadeira mudança acontece quando deixa de cozinhar como antes e permite que a máquina faça a parte aborrecida. Use a cozedura lenta para molhos e sopas de dias úteis que inicia enquanto trabalha. Use o vapor para legumes que ficam realmente verdes - não tristes e acinzentados.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que o jantar está atrasado, as crianças têm fome e você olha para o frigorífico como se ele o estivesse a insultar pessoalmente. É aí que a confeção pré-programada, em várias etapas, passa a ser salvadora - e não “tecnologia só porque sim”.

“Quando percebi que podia deitar lentilhas secas, alguns legumes cortados, um pouco de caldo e deixar a máquina fazer tudo enquanto eu respondia a e-mails, deixei de odiar cozinhar durante a semana”, confidenciou Laura, 34 anos, que trocou o air fryer por um aparelho de nove modos depois de nascer o segundo filho.

  • Use vapor + crocância para aves e legumes: primeiro tenrura, depois estaladiço.
  • Reserve o modo air-fry puro para snacks congelados e jantares ultra-rápidos.
  • Experimente a cozedura lenta durante a noite para pequenos-almoços (papas/porridge, compotas, carnes desfiadas).
  • Use o modo saltear para alourar cebola ou carne antes de iniciar um guisado.
  • Teste o modo desidratar para fruta que sobrou: snacks caseiros em vez de desperdício.

A revolução silenciosa que está a acontecer nas nossas bancadas

Algo subtil está a mudar na forma como nos relacionamos com as nossas cozinhas. O air fryer fazia-nos sentir espertos: menos óleo, resultados rápidos, menos loiça. Estes aparelhos de nove modos vão mais longe. Dão-nos opções que normalmente só vemos em cozinhas de restaurante, mas embrulhadas num único aparelho - e não demasiado assustador.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Ninguém planeia perfeitamente uma semana de receitas multi-modo e caldo caseiro. Na maior parte do tempo, improvisamos com o que resta no frigorífico e com o tempo que temos. É exatamente aí que estes aparelhos brilham. Perdoam-nos. Prolongam a vida das sobras, transformam cortes rijos em carne macia e elevam legumes básicos a algo que realmente apetece comer.

Há também uma pequena mudança mental por detrás deste adeus ao air fryer. A primeira vaga de gadgets “saudáveis” estava obcecada com menos: menos gordura, menos tempo, menos confusão. Esta nova geração é sobre mais. Mais sabores, mais texturas, mais possibilidades a partir dos mesmos ingredientes. Uma simples cenoura pode ser cozinhada a vapor para ganhar doçura, depois grelhada para ganhar tostado e depois reaquecida amanhã com um pouco de molho.

Algumas pessoas vão manter o air fryer, claro. O hábito é forte e o cesto dá segurança. Mas, depois de provar um prato que usou três ou quatro modos de confeção sem panelas extra nem stress, é difícil voltar atrás. O velho fryer começa a parecer um telemóvel de teclas num mundo de smartphones.

Esta mudança não vai acontecer de um dia para o outro. O air fryer conquistou o seu lugar em milhões de bancadas e não vai desaparecer numa semana. Mas é evidente que uma nova onda de aparelhos está a empurrar os limites - e as nossas expectativas sobem com cada refeição bem-sucedida. Talvez essa seja a verdadeira história: não a morte do air fryer, mas o nascimento de uma cozinha onde uma máquina inteligente e compacta consegue acompanhar o ritmo da vida real.

Alguns vão usar apenas dois botões; outros vão explorar os nove modos. O resto de nós ficará algures no meio, contente por deixar a tecnologia tratar do que antes nos stressava. E, pouco a pouco, o fryer volumoso no canto será desligado, limpo e guardado em silêncio - como um velho amigo de quem crescemos sem dar por isso.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Nove métodos de confeção num só Do vapor à grelha, passando por air fry, cozedura lenta e desidratação Substitui vários aparelhos e liberta espaço na cozinha
Estratégia de cozedura em duas fases Primeiro cozedura suave, depois crocância a alta temperatura Carnes mais suculentas, melhores texturas, resultados mais “de restaurante” em casa
Poupança de tempo e energia Início programado, refeições numa só panela, sem necessidade de aquecer o forno inteiro Jantares mais rápidos, faturas mais baixas, menos carga mental diária

FAQ:

  • Pergunta 1: Um aparelho de nove modos é mesmo melhor do que um air fryer para uso diário?
    Para a maioria das casas, sim. Continua a ter o acabamento estaladiço de um air fryer, mas ganha também modos de vapor, cozedura lenta e grelha, que se ajustam a mais tipos de receitas e ingredientes.
  • Pergunta 2: A comida fica tão estaladiça como num air fryer clássico?
    Quando usa os modos dedicados de air-fry ou grelha, consegue a mesma crocância. Combinar vapor ou pressão primeiro pode até melhorar o contraste entre interior suculento e exterior crocante.
  • Pergunta 3: Estes aparelhos multifunções são complicados de usar?
    Nos primeiros dias pode parecer um pouco avassalador, mas normalmente acaba por depender de 2–3 programas principais. Depois vai explorando os restantes à medida que ganha confiança, tal como com um smartphone novo.
  • Pergunta 4: Consomem mais eletricidade do que um forno?
    Normalmente consomem menos, porque a câmara de cozedura é mais pequena e aquece mais depressa. Para pratos pequenos e médios, são muitas vezes mais eficientes do que um forno de tamanho normal.
  • Pergunta 5: Devo livrar-me do meu air fryer de imediato?
    Não é necessário. Pode mantê-lo enquanto testa o aparelho de nove modos. Ao fim de algumas semanas, vai perceber rapidamente qual usa de forma natural. Esse é o que merece o espaço na sua bancada.

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