Às 9:15 de uma terça-feira de manhã, o salão já está cheio de cabelos prateados e chávenas de café fumegantes. Uma mulher na casa dos setenta senta-se em frente ao espelho, torcendo a alça da mala, a observar o seu reflexo com uma mistura de curiosidade e medo. “Só algo que não me faça parecer velha”, sussurra ao cabeleireiro. Ele sorri, levanta uma madeixa do cabelo e responde com delicadeza: “Então evitamos o corte de avó.”
Ela ri-se, um pouco envergonhada. Achava que curto, prático e “adequado à idade” eram as únicas opções que lhe restavam. À volta, outras mulheres acenam com a cabeça. Mesma idade, mesmas dúvidas, o mesmo medo de atravessar aquela linha invisível entre “maduramente elegante” e “presa ao modo avó”.
E essa linha, muitas vezes, está a apenas um corte de cabelo de distância.
O verdadeiro erro “de avó” não é a sua idade - é a estratégia do corte
Pergunte a qualquer cabeleireiro experiente: o pior erro depois dos 70 não é o cabelo grisalho, nem as rugas, nem os comprimentos mais ralos. A verdadeira armadilha é optar por um corte rígido, demasiado curto e demasiado “assentado”, que congela o rosto em vez de o enquadrar. Aquele corte ultra-clássico em “capacete”, com laca a fixar tudo no lugar, que não mexe nem quando se entra no vento.
Este famoso efeito “avó” tem uma receita muito simples. Volume a mais no topo, demasiado arredondado nas laterais, cabelo cortado do mesmo comprimento em toda a volta e uma cor ou demasiado escura ou demasiado uniforme. Resultado: os traços endurecem, as bochechas parecem mais pesadas e o rosto fica com ar mais velho e cansado.
Um cabeleireiro parisiense conta a história de Jeanne, 74, que chegou com a versão “de manual” deste estilo envelhecedor. Curto, arredondado, com permanente há décadas, brushing todas as semanas no salão. “Não percebo”, disse-lhe ela. “Faço tudo para estar impecável, mas as pessoas tratam-me por ‘madame’ como se eu tivesse 90.”
Ele propôs uma pequena aposta: manter o curto, mas quebrar o efeito “capacete”. Suavizou o contorno à volta das orelhas, aligeirou o topo, criou movimento lateral e iluminou a frente com algumas madeixas mais claras. Depois do brushing, Jeanne ficou a olhar para si em silêncio e, por fim, disse: “Pareço eu… há dez anos. Não mais nova. Apenas mais viva.”
O que mais envelhece o rosto depois dos 70 não é o comprimento ou a cor, por si só. É um corte que vai contra o movimento natural do cabelo e congela a expressão. Quando o cabelo está demasiado fixo, o olhar vai para a estrutura do corte em vez de ir para os seus olhos, o seu sorriso, a sua pele. O cérebro lê isso de imediato como “fora de moda” e, por associação, como “mais velho”.
Um penteado muito quadrado e fechado engrossa a linha do maxilar, realça a flacidez e “corta” o pescoço com uma linha dura. Uma cor demasiado escura e chapada faz o mesmo à sua tez. Suavidade, irregularidade, um pouco de ar entre as madeixas - é isso que levanta visualmente o rosto e dá impressão de energia.
Como fugir ao “capacete” e conseguir um corte que levanta (e não afunda) os seus traços
O primeiro gesto que o seu cabeleireiro deve fazer depois dos 70 não é cortar, é observar. Formato do rosto, óculos, a forma como coloca o cabelo atrás das orelhas, como o cabelo cai quando abana a cabeça. A partir daí, o objetivo é simples: abrir o rosto e aligeirar as extremidades.
Em vez de uma massa sólida, peça camadas subtis, sobretudo à volta das maçãs do rosto e na nuca. A ideia é quebrar o efeito “bola” arredondado e criar pequenas linhas verticais e diagonais que alongam visualmente o rosto. Uma risca ao lado, em vez de ao meio, já pode apagar um ar cansado e trazer suavidade aos traços.
A outra grande armadilha é ir para o ultra-prático a qualquer custo. Muitas mulheres pedem cortes muito curtos e uniformes “porque é mais fácil”. Sejamos honestos: ninguém faz isto com perfeição todos os dias. Ao fim de três semanas, o corte cresce, a forma desaba, e aparece o famoso triângulo de avó (achatado em cima, armado nas laterais).
Um curto um pouco mais comprido - à altura da orelha ou ligeiramente abaixo - muitas vezes dá mais margem para movimento e styling. Pode pôr atrás da orelha, levantar as raízes com os dedos, deixar cair uma madeixa na testa. Nada teatral, só um pouco de jogo. E essa pequena liberdade já faz o rosto parecer mais descontraído.
“Depois dos 70, eu não corto mais curto - eu corto com mais inteligência”, diz Marc, um cabeleireiro que atende sobretudo mulheres acima dos 60. “O perigo é o pedido ‘prático a qualquer custo’. Prático nunca devia significar rígido, arredondado e encharcado de laca.”
Eis o que ele aconselha às suas clientes para evitar o efeito avó:
- Escolher camadas suaves à volta do rosto em vez de um corte tigela rígido, todo do mesmo comprimento.
- Preferir movimento a volume, com raízes ligeiramente levantadas e pontas leves.
- Evitar cores ultra-escuras e chapadas; optar por tons com nuance ou madeixas discretas.
- Manter algum comprimento à frente (uma franja cortina, uma madeixa mais longa) em vez de libertar toda a testa.
- Dizer não a brushings ultra-fixados semanais que não mexem um milímetro durante dias.
Um penteado que não a envelhece é aquele que acompanha a sua vida - não o seu ano de nascimento
O que mais impressiona quando se fala com cabeleireiros que trabalham muito com mulheres depois dos 70 é o vocabulário deles. Não falam de “camuflar a idade”, mas de ritmo, estilo de vida, personalidade. O pior erro, dizem, é cortar o cabelo de uma mulher segundo um estereótipo, em vez de segundo a sua vida real.
Uma professora reformada que faz caminhadas todas as semanas não precisa do mesmo penteado que uma mulher de 72 que ainda gere uma pequena loja de manhã à noite. E ambas merecem, com certeza, mais do que um capacete curto, arredondado e igual para todas, que apaga a sua história. Um bom corte nessa idade é uma espécie de negociação: entre manutenção e elegância, entre conforto e carácter, entre hábitos e o desejo de ainda se surpreender.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Manter movimento, evitar “capacetes” | Camadas suaves, ar entre madeixas, risca ao lado | Faz o rosto parecer mais levantado e menos cansado |
| Adaptar o comprimento, não apenas “cortar curto” | Curto, mas não ultra-uniforme; algum comprimento à frente | Evita a “bola de avó” e o efeito de maxilar endurecido |
| Usar a cor para suavizar, não endurecer | Grisalho com nuances; madeixas mais claras junto ao rosto | Ilumina a tez e reduz o contraste duro sobre as rugas |
FAQ:
- Que corte de cabelo depois dos 70 evita o efeito “avó”? Um corte suave, ligeiramente em camadas, que siga o movimento natural do cabelo, com algum comprimento à volta do rosto e volume leve nas raízes, em vez de um estilo arredondado, rígido e demasiado fixo.
- Devo cortar sempre o cabelo curto depois dos 70? Não. O curto pode ser bonito, mas muitas mulheres parecem mais frescas com um bob médio ao nível do maxilar ou um pouco abaixo, sobretudo se o cabelo for fino ou se o pescoço estiver mais frágil.
- O cabelo grisalho envelhece automaticamente o rosto? De todo. O que envelhece é um grisalho baço e chapado. Um grisalho bem cuidado, com brilho e algumas madeixas mais claras junto ao rosto, pode até tornar a tez mais luminosa e vibrante.
- Com que frequência devo retocar o corte? A maioria dos cabeleireiros recomenda a cada 6–8 semanas para cortes curtos e a cada 8–10 semanas para médios. Esse ritmo mantém a forma viva sem a prender a sessões semanais de styling.
- A franja funciona depois dos 70? Sim, sobretudo uma franja suave tipo cortina ou uma franja lateral comprida. Suaviza a testa, disfarça ligeiramente as linhas de expressão e acrescenta movimento sem pesar o rosto.
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