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Vídeo: Primeiros testes de voo do drone Aarok no aeródromo de Breuil.

Operador controla drone em pista de aeroporto, com hangares ao fundo, ao amanhecer.

At Breuil aeródromo, no centro de França, um novo drone militar europeu iniciou os seus primeiros testes de voo, assinalando um novo passo no impulso do continente para uma maior autonomia estratégica no ar.

Uma descolagem ao amanhecer observada pelo aparelho de defesa

Na quinta-feira, 17 de setembro de 2025, o drone Aarok de média altitude e longa duração (MALE) realizou os seus primeiros ensaios aéreos no pequeno aeródromo de Breuil, no departamento de Loir-et-Cher. A aeronave foi desenvolvida pela empresa francesa Turgis & Gaillard, um fornecedor de defesa relativamente jovem, mas ambicioso, que pretende desafiar os grandes protagonistas industriais.

Os testes decorreram sob o olhar de um representante da Direction Générale de l’Armement (DGA), a poderosa agência francesa de aquisição de defesa que avalia e certifica novos sistemas militares. A sua presença indica que não se tratou de simples voos de demonstração, mas de passos iniciais num processo formal de qualificação.

A primeira descolagem do Aarok em Breuil mostra que a indústria francesa de drones está a passar de desenhos e protótipos para campanhas reais de voo.

O horário de madrugada ofereceu ar calmo e pouco tráfego, condições ideais para uma primeira série de testes controlados numa nova plataforma militar.

Que tipo de drone é o Aarok?

O Aarok insere-se na categoria MALE: foi concebido para voar durante longos períodos a média altitude, tipicamente entre 5.000 e 10.000 metros. Este tipo de drone tornou-se uma ferramenta central para as forças armadas modernas, usado para vigilância, recolha de informação e, em alguns casos, ataques de precisão.

O projeto da Turgis & Gaillard pretende oferecer uma alternativa aos sistemas norte-americanos e israelitas que atualmente dominam os inventários europeus. Espera-se que a aeronave transporte uma combinação de sensores e sistemas de comunicações, com a opção de ser armada, caso as autoridades de defesa escolham essa configuração.

  • Função: vigilância, reconhecimento, potencialmente missões de ataque
  • Autonomia: concebido para missões longas sem aterrar
  • Operação: pilotado remotamente a partir de uma estação de controlo em terra
  • Utilizador: direcionado principalmente para as forças armadas francesas e europeias

Ao realizar testes num aeródromo regional modesto, a empresa pode expandir gradualmente o envelope de voo do drone, mantendo um controlo apertado sobre a segurança e a proteção.

Porque é que o aeródromo de Breuil é importante

O aeródromo de Breuil normalmente acolhe aviação ligeira e atividade de planadores. Nesta manhã de setembro, transformou-se por instantes numa área de ensaios para uma aeronave militar de alta tecnologia. A escolha do local reflete uma tendência mais ampla nos testes de defesa: utilizar aeródromos mais pequenos, longe dos grandes centros comerciais, para realizar experiências controladas.

A instalação em Loir-et-Cher oferece várias vantagens:

  • Um espaço aéreo relativamente pouco congestionado, mais fácil de proteger e gerir
  • Comprimento de pista suficiente para drones de grande porte, sem a complexidade de um grande aeroporto
  • Proximidade de outros polos de defesa e aeroespaciais no centro e oeste de França

A presença do observador da DGA indica que o perfil de voo, a telemetria e os procedimentos de segurança foram acompanhados de perto. Cada descolagem, aterragem e manobra gera dados necessários antes de qualquer drone poder avançar para testes operacionais mais exigentes.

Aeródromos regionais como Breuil estão, discretamente, a tornar-se nós-chave no esforço europeu para colocar em serviço aeronaves não tripuladas de origem nacional.

Implicações estratégicas para França e para a Europa

Por detrás deste único voo encontra-se uma questão política e industrial mais ampla. Durante muito tempo, os governos europeus dependeram de drones importados para operações no exterior, do Sahel ao Médio Oriente. Construir uma aeronave concebida internamente, como o Aarok, faz parte de um esforço para maior autonomia nas capacidades de vigilância e ataque.

O Ministério das Forças Armadas francês pretende opções que possam ser integradas em redes nacionais e europeias sem restrições de exportação impostas por países terceiros. Um programa Aarok bem-sucedido poderá também apoiar ambições de exportação para nações aliadas que preferem sistemas europeus.

Um novo protagonista num mercado concorrido

A Turgis & Gaillard, mais pequena do que gigantes como a Airbus ou a Dassault Aviation, procura abrir espaço com um drone flexível e modular. A empresa apresenta o Aarok como uma plataforma que pode ser rapidamente adaptada a diferentes missões, desde patrulha marítima a monitorização de fronteiras.

Para as economias regionais, estes projetos trazem emprego qualificado e contratos para fornecedores. Para o ecossistema de defesa francês, oferecem concorrência que pode reduzir custos e estimular a inovação.

Dos primeiros testes às missões futuras

A campanha de ensaios em Breuil é apenas o começo. O percurso típico de um novo drone é o seguinte:

  • Verificações em solo e ensaios de rolamento
  • Voos curtos, a baixa altitude, com manobras simples
  • Aumento progressivo de altitude, alcance e duração de voo
  • Avaliação de sensores, ligações de comunicação e processamento de dados
  • Integração com sistemas de comando e, por fim, com unidades militares de treino

Só após estas etapas, e após validação da DGA, poderia o Aarok integrar esquadras operacionais. Essa fase pode demorar vários anos, influenciada por decisões orçamentais e oportunidades de exportação.

Cada voo de teste sem incidentes é uma pequena vitória: prova que a aeronave se comporta como previsto e que os cálculos dos engenheiros se confirmam no ar real.

O que “MALE” significa realmente para as operações

O termo MALE - média altitude e longa duração - pode parecer abstrato. Na prática, implica que aeronaves como o Aarok podem permanecer no ar durante muitas horas, a vigiar um comboio, uma fronteira ou uma rota marítima sem pausa. Pilotos humanos precisariam de rotações e descansos; um drone pode manter-se em posição enquanto o combustível e a manutenção o permitirem.

Utilizações operacionais típicas incluem:

  • Manter vigilância contínua sobre uma zona de crise
  • Fornecer vídeo em direto aos comandantes no terreno
  • Reencaminhar comunicações para unidades em áreas remotas
  • Apoiar missões de busca e salvamento, alargando a cobertura visual

Versões armadas acrescentam a opção de atingir alvos sensíveis ao tempo, com regras de empenhamento rigorosas e supervisão legal. Versões não armadas continuam a trazer grande valor através da recolha de informação e da dissuasão.

Riscos, restrições e questões públicas

O crescimento dos grandes drones militares levanta questões que vão além da tecnologia. Residentes locais perto de locais de teste frequentemente preocupam-se com o ruído, a segurança em caso de queda, ou a natureza militar das atividades sobre as suas casas. Os reguladores têm de gerir o espaço aéreo partilhado, garantindo que aeronaves tripuladas e drones possam coexistir.

Do ponto de vista da defesa, os drones são vulneráveis a guerra eletrónica, tentativas de intrusão ou perturbações de GPS. Programas como o Aarok necessitam de forte cibersegurança e ligações de comunicação robustas para reduzir estes riscos. Requerem também regras políticas claras sobre onde, quando e como drones armados podem ser utilizados.

Por outro lado, drones MALE podem reduzir o risco para as tripulações militares, mantendo os pilotos em terra durante missões perigosas. Podem recolher provas em zonas de conflito, apoiando investigações sobre acontecimentos no campo de batalha. Usados sob enquadramentos legais rigorosos, alteram a forma como os governos monitorizam crises sem recorrer sempre a grandes frotas de aeronaves tripuladas.

A manhã tranquila em Breuil, com um novo drone a partir de uma pequena pista regional, reflete estas mudanças mais amplas. Cada voo de teste é simultaneamente um exercício técnico e um sinal de que as aeronaves não tripuladas estão a tornar-se uma característica rotineira dos céus europeus, desde pequenos aeródromos locais até teatros de operações distantes.

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