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“Envelhecem-na de imediato”: 5 estilos de cabelo a evitar depois dos 50, segundo uma cabeleireira.

Mulher a cortar o cabelo num salão, sentada à frente de um espelho, rodeada por produtos de cabeleireiro.

A mulher na cadeira do salão tem 56 anos: blazer elegante, mala boa, olhos cansados. Passa a mão pelo cabelo à altura dos ombros e suspira: «Juro que este corte me faz parecer a minha mãe em 1994.» A cabeleireira ri-se baixinho e inclina-se com aquela mistura de honestidade e delicadeza que só uma profissional experiente consegue. «O seu rosto é moderno», diz ela. «O seu cabelo é que não é.»

À volta, os secadores rugem e o WhatsApp apita dentro das malas. Os telemóveis acendem-se com fotos de ícones prateados e bobs “anti-idade” virais. A mulher desliza o ecrã por imagens de inspiração enquanto pequenos tufos de cabelo caem no chão.

Um a um, a estilista aponta os detalhes que, silenciosamente, acrescentam dez anos ao espelho.

Ela chama-lhes «os cinco do desleixo».

1. O bob “capacete” que não mexe

A primeira coisa que qualquer cabeleireiro lhe dirá depois dos 50: se o seu bob não balança quando anda, está a envelhecê-la. Aquele formato rígido, arredondado, tipo “capacete”, agarra-se demasiado à linha do maxilar e congela o rosto inteiro. Em fotografias, parece seguro, controlado, datado.

O problema não é o bob em si. É quando o corte fica pesado nas pontas, a linha demasiado marcada, o penteado demasiado lacado. Fica com um bloco de cabelo em vez de uma moldura para o rosto. Visto de trás, pode até parecer um semicírculo perfeito. É exatamente isso a que muitos estilistas chamam discretamente «o corte da câmara».

Uma colorista com quem falei em Londres contou-me sobre uma cliente de 62 anos que entrou com um bob rígido até ao queixo, sem movimento, com tinta castanha escura. «Quando ela se sentou, pensei: esta é uma mulher poderosa escondida atrás de um corte de professora primária dos anos 80.»

Suavizaram a linha, retiraram peso nas pontas, acrescentaram algumas camadas invisíveis e secaram ao ar com uma escova redonda grande em vez de um enrolado com rolos. O comprimento era o mesmo, quase a mesma forma, mas agora mexia. A mulher voltou um mês depois e disse que estranhos lhe perguntavam se tinha emagrecido. Nada tinha mudado a não ser a rigidez. É assim que a estrutura pode envelhecer.

Os nossos olhos associam movimento a juventude. Cabelo que balança, dobra, levanta no topo da cabeça sugere energia e saúde. Quando o corte é um bloco sólido, o foco cai em tudo o resto: maxilar, pescoço, rugas.

Um bob moderno depois dos 50 é ligeiramente “desfeito” nas pontas, mais suave à frente, talvez um pouco mais comprido por baixo do queixo. Pense em ar, não em armadura. A estilista vai desfiar as pontas (point cutting), retirar densidade onde ganha volume e evitar uma graduação agressiva na nuca. O objetivo não é um «corte da moda», mas uma forma que pareça viver consigo - não como se tivesse sido “instalada” na sua cabeça.

2. Uma cor única que parece um capacete de tinta

A segunda armadilha do desleixo: aquela cor plana, opaca, de um só tom, aplicada para apagar todos os brancos. Assenta no cabelo como tinta numa parede e pode endurecer instantaneamente os traços do rosto. Sobretudo quando é demasiado escura para o tom de pele atual.

Muitas mulheres mantêm a cor que tinham aos 35 porque parece uma linha de defesa contra o envelhecimento. A ironia é que, quanto mais luta contra a mudança natural do seu tom, mais duro o cabelo fica. Verdes e azuis aparecem sob os olhos, as linhas finas parecem mais profundas, e o couro cabeludo começa a aparecer em contraste marcado. A cor pode estar “perfeita”, mas a impressão é estranhamente severa.

Já todas passámos por isso: quando a raiz nasce prateada e o resto é um castanho denso, quase tinta-da-china. Apanha-se num reflexo de montra e só consegue ver a linha de demarcação.

Um cabeleireiro em Paris contou-me sobre uma cliente no início dos 50 que insistia em cobertura total escura de três em três semanas. «Parecia que usava um capacete moreno», disse ele. «Uma mulher lindíssima, com ótima estrutura óssea, mas tudo parecia pesado.»

Não a tornaram loira. Introduziram madeixas ultrafinas apenas à volta do rosto, suavizaram ligeiramente a cor base e esbateram a linha da raiz. Três meses depois, continuava morena, continuava ela mesma - e, no entanto, o efeito geral era mais luminoso e mais “amigo” do rosto. O cabelo ganhou dimensão, como se a luz pudesse entrar.

O cabelo branco muda textura, densidade e brilho. Ficar presa a um tom opaco ignora tudo isso. Um bom colorista lê a sua pele como um maquilhador: há mais rosado agora? mais amarelo? mais vermelhidão? Depois acrescenta tons translúcidos e variações que ecoam a luz e a sombra naturais.

Pense em fitas de cor, não numa folha. Sombreados suaves (lowlights), babylights e um contorno ligeiramente mais claro à frente são escolhas pequenas que tiram anos sem gritar: «Estou a tentar parecer mais nova.» O objetivo real é evitar o efeito capacete. Porque, quando o seu cabelo parece um bloco sólido de tinta, arrasta o rosto inteiro para baixo.

3. Cabelo comprido demais… mas sem verdadeiro styling

Outra tendência “desleixada”: cabelo que cai vários centímetros abaixo dos ombros, sem forma. Não as ondas chiques do «acordei assim» do Instagram, mas o tipo de cabelo comprido que vive quase sempre num rabo-de-cavalo baixo ou num elástico de tecido.

Cabelo comprido não é o inimigo depois dos 50. O problema é o cabelo comprido, pesado e cansado, que não diz nada sobre si. Quando as pontas estão ralas e espigadas, ou o único pedido no cabeleireiro é «só as pontinhas, como da última vez», a mensagem é: deixei de prestar atenção. Esse abandono silencioso envelhece mais do que um corte curto e bem definido.

Uma estilista em Nova Iorque falou-me de uma cliente que entrou aos 58 com cabelo até meio das costas. «Está assim desde a faculdade», disse ela. O terço inferior estava gasto, o topo estava liso, e o meio vivia num nó permanente. Achava que cortar seria «desistir».

Não o transformaram num corte “de mãe”. Subiram para um comprimento mesmo abaixo da clavícula, acrescentaram camadas a enquadrar o rosto e uma forma suave tipo curtain à frente. A mesma mulher, a mesma vibe geral de “cabelo comprido”, mas de repente via-se o maxilar, os olhos, o sorriso. Mais tarde, disse à estilista que até a postura mudou. Quando o cabelo deixa de puxar para baixo, os ombros também.

O comprimento extra puxa a atenção para baixo e pode alongar visualmente a parte inferior do rosto, sobretudo quando a textura fica mais áspera com a idade. Em cabelos finos, achata tudo na raiz e forma “mechas” nas pontas. O rosto parece pequeno no meio de uma cortina grande de cabelo.

Uma abordagem mais fresca é um comprimento “longo-q.b.” com propósito: uma linha definida, pontas saudáveis, movimento incorporado. Isso pode ser um corte longo em camadas que termina na clavícula, ou um V suave com camadas subtis só mesmo à frente. Mantém-se a sensação de cabelo comprido, mas o olhar é guiado para cima - para maçãs do rosto e olhos - em vez de ser arrastado para pontas espigadas e rabos-de-cavalo descaídos.

4. Cortes curtos, rígidos, que gritam “só praticidade”

No extremo oposto está o corte curto ultra-prático, feito de manutenção e nada de personalidade. Sabe qual é: demasiado redondo atrás, demasiado apertado dos lados, secado para o sítio e fixado com spray até nada mexer.

Cabelo curto pode ser incrivelmente favorecedor depois dos 50, mas quando cada fio fica congelado na mesma direção, o resultado é menos «pixie chique» e mais «senhora simpática do banco». É aí que o desleixo se infiltra: a sensação de que o corte foi escolhido só porque seca depressa e não incomoda os olhos - não porque ilumina o seu rosto.

Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias - o brushing com escova redonda, o levantar perfeito na raiz, os dez minutos de modelação com laca.

Por isso, quando um corte curto só fica bem com esse nível de styling, a maioria acaba com outra coisa: cabelo que colapsa a meio do dia e vira uma “tampa” compacta. Uma estilista em Milão contou-me sobre uma cliente nos 60 que chegava com exatamente esse problema. «Quando lavo em casa», explicou ela, «seca como um cogumelo.»

A solução não foi deixar crescer. Acrescentaram textura subtil com navalha no topo, aclararam ligeiramente a cor à volta da franja e ensinaram-na a amassar (scrunch) uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme para caracóis em vez de o secar a direito com força. De repente, o mesmo curto parecia divertido, não rígido.

Cabelo curto precisa de suavidade para não cair na zona do desleixo. Pode ser uma franja leve e desfiada que roça as sobrancelhas, pontas separadas (piece-y), ou um pouco de assimetria. A sua cabeleireira pode sugerir deixar o topo ligeiramente mais comprido, para cair e levantar em vez de ficar sentado como um capacete.

Como me disse uma cabeleireira em Londres:

«Depois dos 50, a regra não é “corte curto”. É: se for curto, dê-lhe atitude. Uma pequena imperfeição - uma madeixa desalinhada à frente, um topete, um lado mais despenteado - é o que o torna moderno.»

E, se está a pensar como isso se traduz na prática, ela deixou um mini-checklist mental:

  • Evite franjas perfeitamente direitas, como uma barra sobre a testa.
  • Peça textura, não volume pesado, no topo e atrás.
  • Escolha um creme de styling flexível em vez de laca rígida.

Esses pequenos ajustes fazem a diferença entre «bonitinho e arrumado» e realmente favorecedor.

5. Hábitos de styling desatualizados que puxam tudo para baixo

Mesmo com um bom corte e uma boa cor, hábitos antigos de styling podem envelhecê-la de um dia para o outro. Falo de riscas laterais rígidas que tem desde 1998, pontas em caracol “crocantes” saídas dos rolos quentes, ou aquela parede de franja espessa que nunca chegou a deixar crescer.

O efeito “desleixado” muitas vezes vem menos do corte em si e mais do acabamento. Quando o cabelo é demasiado alisado, demasiado fixado e demasiado controlado, começa a parecer uma peruca. Quando é sub-penteado - fofo na raiz e frisado nas pontas - pode dar um sinal de cansaço, de «desisti», que a senhora não merece.

Os cabeleireiros veem isto todos os dias. A mulher que insiste em virar as pontas para dentro com a escova redonda «porque aprendi assim nos anos 90». A que carda o topo todas as manhãs para criar aquele “alto” de volume e depois se pergunta porque o cabelo parte e fica baço. A cliente fiel que não larga a risca lateral funda e severa que lhe divide a cara em duas.

Um estilista em Dublin contou-me sobre uma cliente que vinha todas as semanas para um enrolado com rolos. Tinha quase 80 anos, elegante, afiada. «O cabelo fazia-a parecer a própria avó», disse ele. Um dia, tentaram secar só com uma escova grande e um difusor, deixando sair a onda natural. Saiu do salão a parecer dez anos mais leve: mesma cor, mesmo comprimento, apenas uma energia completamente diferente.

Styling moderno depois dos 50 é menos esforço e movimentos mais inteligentes. Um pequeno desvio na risca para algo mais suave e diagonal. Uma mousse leve e secagem ao ar em vez de três camadas de mousse, calor e spray. Uma passagem rápida com um ferro de caracóis grande só no meio do comprimento, deixando as pontas mais direitas para um acabamento descontraído.

Como me disse uma colorista experiente:

«O seu cabelo não deve parecer um evento. Deve parecer você, num dia muito bom.»

Isso significa:

  • Evitar caracóis muito apertados e brushings rígidos no dia a dia.
  • Aceitar um pouco de frizz e curva - sinalizam cabelo real, vivido.
  • Atualizar a risca e a franja de poucos em poucos anos, mesmo que pouco.

Quando o styling evolui, o rosto volta a ser o centro.

O poder discreto de deixar o cabelo crescer consigo

Há um tipo particular de coragem em sentar-se numa cadeira de salão depois dos 50 e dizer: «Acho que o meu cabelo me está a envelhecer.» É admitir que os truques que funcionavam aos 32 já não são magia. E também abre a porta a algo surpreendentemente libertador: um cabelo que combina com a mulher em que se tornou.

As cinco tendências de desleixo que os cabeleireiros mais mencionam - o bob capacete, a tinta sólida, o comprido cansado, o curto rígido, o styling desatualizado - têm todas uma coisa em comum: estão congeladas numa versão passada de si. Agarram-se ao conforto e ao hábito em vez da curiosidade. Quando se percebe isso, torna-se mais fácil largar algumas.

A ideia não é perseguir a juventude. É retirar o peso visual que a puxa para trás sempre que se olha ao espelho. Uma linha mais suave aqui, uma mecha mais clara ali, um pouco mais de movimento, um pouco menos de controlo. Escolhas pequenas, quase silenciosas, que dizem: não estou a tentar parecer mais nova; estou a tentar parecer eu, agora.

Pergunte a qualquer cabeleireiro honesto e ele dir-lhe-á: o corte mais bonito é o que deixa as pessoas verem o seu rosto, não o seu cabelo.

A pergunta não é «O que é que mulheres com mais de 50 nunca devem fazer?»

É: «Que tipo de cabelo a fará sair do salão a sentir-se verdadeiramente vista?»

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Movimento em vez de rigidez Trocar bobs capacete e brushings rígidos por cortes mais suaves e styling flexível Faz os traços parecerem mais frescos e reduz o efeito “datado”
Dimensão em vez de cor plana Usar madeixas, lowlights e bases mais suaves em vez de um tom único escuro Ilumina o rosto e mistura os brancos sem linhas de crescimento duras
Forma em vez de comprimento Escolher cortes (curtos ou longos) que enquadrem o rosto e elevem o olhar Aligeira visualmente a parte inferior do rosto e devolve a atenção aos olhos e ao sorriso

FAQ:

  • Mulheres com mais de 50 devem evitar completamente cabelo comprido? De todo. Cabelo comprido pode ser deslumbrante depois dos 50 se as pontas estiverem saudáveis, a forma tiver intenção e houver algum movimento ou camadas à volta do rosto, para não puxar os traços para baixo.
  • Que comprimento é mais favorecedor depois dos 50? A maioria dos estilistas concorda que qualquer coisa entre as maçãs do rosto e a clavícula favorece a maior variedade de rostos. O “melhor” comprimento depende dos seus traços, da densidade do cabelo e do estilo de vida - não apenas da idade.
  • Ficar totalmente grisalha é a única forma de parecer moderna hoje? Não. O grisalho pode ser lindíssimo, mas a cor misturada com dimensão é igualmente atual. O efeito envelhecedor vem da tinta plana e opaca, não de optar por manter alguma cor.
  • A franja envelhece ou rejuvenesce? Depende do formato. Franjas pesadas e retas podem parecer quadradas e datadas, enquanto franjas suaves, desfiadas ou curtain tendem a suavizar linhas e a chamar a atenção para os olhos.
  • Com que frequência devo mudar o meu corte depois dos 50? Não precisa de uma transformação grande todos os anos, mas pequenas atualizações a cada 18–24 meses - uma nova franja, camadas ajustadas, um comprimento ligeiramente diferente - ajudam o cabelo a acompanhar o rosto e o estilo de vida.

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