Sábado de manhã, com a luz do espelho um bocadinho honesta demais, Maria empurra a franja com reflexos prateados para trás e suspira. Tem 56 anos, é bem-sucedida, divertida, cheia de vida… e sente que o seu cabelo ainda está preso na fotografia do LinkedIn de 2012. No cabeleireiro, todos os cartazes mostram raparigas de 20 anos com abdominais lisos e 800 camadas no cabelo. No telemóvel, o TikTok não pára de servir glass skin e ondas de sereia. Ela faz scroll, meio divertida, meio irritada.
A sua cabeleireira aproxima-se, sorriso já carregado de sugestão. “Já pensou em… um corte shag?” Maria ri-se. Lembra-se da prima mais velha no final dos anos 60, franja nos olhos, camadas texturadas, aquela energia rock sem esforço.
Quando o secador pára, Maria parece dez anos mais leve. Não mais nova. Mais leve.
Algo antigo acabou de ficar muito 2026.
O shag dos anos 60, renascido para mulheres com mais de 50
Entre num salão moderno hoje e reconhece-o imediatamente. Franja mais suave, camadas leves como penas, um pouco de irreverência no topo da cabeça: o shag dos anos 60 voltou. Os cabeleireiros falam dele como se fosse uma arma secreta para mulheres com mais de 50 que estão cansadas de cortes “certinhos”. O bob em capacete? A perder força. O corte pesado, de um só comprimento? Demasiado rígido para rostos que aprenderam a rir muito.
O shag ressuscitado em 2026 é mais solto, mais arejado e mais gentil com o cabelo maduro. A estrutura é puro anos 60 - camadas, movimento, franja - mas o acabamento é moderno. É menos estrela de rock em palco e mais mulher adulta que sabe exactamente quem é.
Veja este corte em alguém na casa dos 50 e percebe porque é tendência. Conheci a Patrícia, 63, num salão em Paris, enquanto a sua cabeleireira moldava um shag um pouco abaixo da linha do maxilar, com uma franja cortina suave. O cabelo dela tinha afinado na última década, sobretudo no topo. Todos os bobs clássicos que experimentara “caíam” ao segundo dia. Com o shag, o topo pareceu logo mais cheio, as laterais mais leves, o pescoço um pouco mais comprido.
Ela levantou-se da cadeira, abanou a cabeça, e o cabelo mexeu mesmo. “Sinto que voltei a ter o meu cabelo de 1978, mas… melhorado”, riu-se. A cabeleireira explicou que a estrutura em camadas disfarça zonas mais ralas sem precisar de produtos pesados nem de blowouts constantes.
Há uma lógica por trás deste regresso. Depois dos 50, o cabelo normalmente muda: fica mais seco, mais fino, por vezes mais frágil nas têmporas. Cortes pesados e direitos tendem a puxar tudo para baixo, chamando a atenção para linhas do maxilar ou para o pescoço - zonas em relação às quais muitas pessoas se sentem inseguras. O shag dos anos 60 inverte o guião. As camadas criam linhas verticais e textura desalinhada, puxando o olhar para os olhos e para os malares.
Ao mesmo tempo, trabalha com a textura natural do cabelo em vez de a combater todas as manhãs. Um pouco de onda? Vira personalidade. Algum frisado? Lê-se como volume. O corte é que faz o trabalho pesado, não a escova redonda.
Como adaptar o shag dos anos 60 ao seu rosto, à sua idade, à sua vida
A magia do shag dos anos 60 em 2026 é que não é um único corte; é uma família de formas. O primeiro passo não é fazer scroll, é conversar. Sente-se com o seu cabeleireiro e diga três coisas muito concretas: como usa o cabelo no dia-a-dia, o que gosta de realçar no seu rosto e aquilo com que se recusa absolutamente a perder tempo. A partir daí, o shag pode ser intensificado ou suavizado.
Para um rosto mais redondo, o shag moderno costuma ficar um pouco mais comprido, a roçar os ombros, com camadas a começar nos malares para criar ângulos. Para traços mais marcados, uma versão mais curta, mais “rock anos 60”, à altura do queixo, pode suavizar. A franja pode ser densa e direita, leve e aberta ao meio, ou quase inexistente. A ideia não é fazer cosplay dos anos 60; é roubar a estrutura e pô-la ao serviço da sua vida agora.
Há uma armadilha em que muitas mulheres caem: levar uma foto de referência de uma celebridade de 22 anos e pedir exactamente o mesmo corte. Depois chegam a casa, lavam o cabelo uma vez, e percebem que não têm um estilista residente. Já passámos todas por isso: o blowout do salão desvanece-se e o “novo eu” dura precisamente um champô.
Um bom shag depois dos 50 deve ser desenhado para o seu dia de menos energia, não para o melhor. Se tem artrite nas mãos, o corte deve continuar a ficar apresentável com secagem ao ar e só um bocadinho de creme amassado no cabelo. Se pinta o cabelo, as camadas devem misturar as raízes com elegância entre marcações. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias - os caracóis, a escovagem perfeita, a rotina de tutoriais no YouTube.
Os profissionais que fazem isto bem repetem a mesma ideia.
“Numa mulher com mais de 50, o shag resulta quando se deixa de perseguir a juventude e se começa a perseguir a leveza”, diz a cabeleireira Emma Clarke, baseada em Londres. “Menos rigidez, menos perfeição, mais movimento à volta do rosto. É isso que fica bonito em fotografia e sabe bem numa manhã de terça-feira.”
Para ajudar o seu “eu” futuro às 7:15, pense em termos muito práticos:
- Escolha uma franja com a qual consiga viver: franja cheia pede aparar a cada 3–4 semanas; franja cortina aguenta 6–8.
- Mantenha as camadas suaves, não demasiado “desfiadas”, se o seu cabelo for frágil ou estiver a partir nas pontas.
- Peça “camadas internas” no topo para volume, em vez de empilhar camadas curtas por todo o cabelo.
- Combine o corte com um único produto de styling, de baixa manutenção, que goste de usar.
- Marque a próxima visita antes de sair para que a forma nunca colapse por completo.
Mais do que uma tendência: o que este corte diz sobre envelhecer em 2026
Se observar este regresso do shag dos anos 60 com atenção, percebe que não tem assim tanto a ver com nostalgia. Tem a ver com mulheres com mais de 50 a desistirem, em silêncio, da ideia de que devem ser invisíveis ou “respeitáveis” no cabelo. O corte tem um pouco de rebeldia, mas não grita crise de meia-idade. Numa plataforma de metro ou num corredor de supermercado, dá para o reconhecer: caracóis prateados num shag solto, óculos, batom ligeiramente esborratado, uma mulher que não está a tentar esconder-se.
Para algumas, o shag torna-se uma linha visível entre “tentar manter-se jovem” e “escolher manter-se viva, vívida”. A textura aceita o frisado, as camadas aceitam o volume, e o conjunto aceita a realidade de um cabelo vivido. Há liberdade em ver isso noutras caras - e liberdade em senti-lo quando os dedos deslizam pelo seu próprio topo, mais curto e mais leve.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Estrutura moderna do shag anos 60 | Camadas suaves, franja opcional, volume no topo, comprimento adaptado ao formato do rosto | Dá movimento e elevação ao cabelo maduro sem styling complexo diário |
| Adaptado à vida real | Desenhado em torno da textura natural, do nível de energia e dos hábitos de styling | Resultado: um corte que continua a ficar bem nas manhãs apressadas |
| Atitude positiva em relação à idade | Foco na leveza e no carácter, em vez de apagar sinais de idade | Ajuda a sentir-se visível, com estilo e autêntica nos 50 e além |
FAQ:
Pergunta 1: O shag dos anos 60 é adequado para cabelo muito fino depois dos 50?
Sim, desde que as camadas sejam subtis e não demasiado curtas. Peça camadas internas e suaves no topo e à volta do rosto, evitando pontas demasiado desfiadas que podem fazer o cabelo fino parecer “espigado”.Pergunta 2: Posso usar um shag com cabelo naturalmente encaracolado ou ondulado?
Sem dúvida. Cabelo encaracolado e ondulado muitas vezes ainda valoriza mais o shag. A chave é cortar a seco ou “molhado mas no lugar” para o cabeleireiro ver como os caracóis assentam e evitar um formato triangular.Pergunta 3: Um shag significa que tenho de usar franja?
Não. A franja é opcional. Pode escolher franja cheia, franja cortina, ou apenas mechas suaves a emoldurar o rosto que imitam o efeito da franja sem compromisso total.Pergunta 4: Com que frequência preciso de cortar um shag para manter a forma?
A cada 8 a 10 semanas resulta para a maioria das pessoas. Se tiver uma franja marcada, pode querer um aparo rápido pelo meio, mas a estrutura geral é bastante tolerante enquanto cresce.Pergunta 5: Um shag vai fazer-me parecer que estou a tentar ser mais nova?
Bem trabalhado, tende a fazer o contrário. O shag moderno realça os seus traços e a sua personalidade em vez de copiar um visual adolescente. Lê-se como confiante e actual, não desesperado.
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