O truque: arroz por infusão numa garrafa térmica (sem ferver, sem fogão)
Se o mais chato no arroz é vigiar o tacho (mexer, baixar o lume, evitar que pegue), dá para simplificar: usar uma garrafa/pote térmico. Entras com água a ferver, juntas o arroz, fechas - e deixas o isolamento fazer o trabalho.
A térmica funciona como uma “panela” bem isolada: a água entra perto dos 100 °C, vai perdendo temperatura devagar e o arroz cozinha com o calor retido, sem fervura ativa e sem supervisão.
Funciona porque o arroz cozinha por hidratação + calor. Se o grão ficar quente o tempo suficiente, chega ao ponto mesmo sem borbulhar.
Nota prática: é muito mais fácil com pote/garrafa de boca larga e boa vedação. Evita modelos frágeis ou com peças plásticas que não sejam para líquidos a ferver (podem deformar, perder vedação ou ganhar cheiros).
Porque é que resulta (e porque fica mais solto)
A fervura “agita” o arroz: mais movimento e atrito soltam mais amido para a água. Isso é ótimo para arrozes cremosos, mas nem sempre para quem quer grão solto.
Na infusão, a cozedura é mais calma e tende a dar:
- menos amido à superfície (menos “cola”)
- grão mais inteiro e separado
- menos risco de passar do ponto (não há “só mais 1 minuto”)
Regra rápida: menos mexer + menos agitação = arroz mais solto. Lavar ajuda, mas aqui o mais importante é não mexer e manter o calor o mais estável possível.
Como fazer: método rápido e repetível
O que precisas
- Arroz (branco de grão longo é o mais previsível para começar)
- Garrafa/pote térmico com boa vedação (idealmente de boca larga)
- Água a ferver (chaleira costuma ser mais consistente)
- Peneira (para escorrer bem)
Se a térmica tiver cheiro a café/chá: enche com água a ferver + 1 colher de chá de bicarbonato, espera 5–10 min e passa por água. O arroz absorve aromas com facilidade.
Passo a passo (para arroz branco longo)
- (Opcional, mas recomendado) Lava o arroz 2–3 vezes até a água sair menos turva. Escorre muito bem (1–2 min na peneira).
- Pré-aquece a térmica: enche com água a ferver durante 1 minuto e deita fora.
- Junta o arroz: começa com 1 chávena (≈ 180–200 g). Não passes de 2/3 da capacidade - o volume final pode aumentar 2–3×.
- Adiciona água a ferver: base 1 chávena de arroz : 1,5 chávena de água. (Em peso: 100 g de arroz para ~150 ml de água é um bom ponto de partida.)
- Fecha e não mexas. Deixa em infusão 45–60 min.
- Abre com cuidado (vapor quente), solta com um garfo e prova. Se estiver quase pronto mas ainda duro no centro, fecha por mais 10–15 min.
Ajuste rápido (mudando só a água):
- mais seco: 1 : 1,35
- mais macio: 1 : 1,6
Se a tua térmica perder calor depressa, melhora o pré-aquecimento e não abras antes do tempo (cada abertura rouba calor e pode deixar o centro rijo). E atenção: não agites a térmica com água a ferver lá dentro - além de libertar amido, pode criar pressão/vazamentos em algumas tampas.
Tempos orientativos (para não andares às cegas)
| Tipo de arroz | Água (por 1 chávena) | Tempo na térmica |
|---|---|---|
| Branco longo (agulha/basmati) | 1,5 chávena | 45–60 min |
| Vaporizado/parboilizado | 1,6 chávena | 60–75 min |
| Integral | 1,8–2,0 chávena | 2,5–4 h |
No integral, costuma resultar melhor num pote térmico mais “pesado” (melhor retenção). Para reduzir o tempo, deixa de molho 30–60 min, escorre bem e faz igual (hidrata o grão e encurta a cozedura).
Pequenos ajustes que evitam que corra mal
Três pontos que quase sempre mandam no resultado:
- Pré-aquecer a térmica: começar “a frio” dá cozedura lenta e irregular.
- Escorrer bem após lavar: a água extra estraga a proporção e empapa.
- Não abrir: baixa a temperatura e pode deixar o centro rijo.
Temperos funcionam bem, mas começa simples. Muito óleo logo de início pode atrasar a hidratação (revestindo o grão). Se quiseres, põe a gordura no fim.
Sugestões fáceis:
- sal + folha de louro (se quiseres uma referência: ~1% de sal na água; ex.: 3 g para 300 ml)
- um fio de azeite no fim
- alho esmagado (mais aroma)
Segurança e bom senso (sem alarmismos)
No arroz convém lembrar a Bacillus cereus: pode sobreviver à cozedura e multiplicar-se se o arroz ficar tempo demais morno.
Regras práticas:
- Faz a infusão e come no próprio dia, de preferência pouco depois de estar pronto.
- Para guardar: arrefece depressa (espalha num tabuleiro raso) e coloca no frigorífico (idealmente 0–5 °C) até 2 horas depois de pronto.
- Evita deixar arroz “à espera” durante horas na térmica ou à temperatura ambiente (a térmica pode manter morno tempo demais).
- Ao reaquecer, aquece bem no centro (se tiveres termómetro, aponta para ~75 °C) e evita reaquecer a mesma dose repetidamente.
FAQ:
- Isto conta como “cozer arroz” se não ferver? Sim. Cozinhar é hidratar o grão com calor; ferver é só um método.
- Posso fazer com água que não está a ferver mesmo nada? Dá, mas fica menos previsível e passas mais tempo na zona “morna” (pior para textura e, muitas vezes, para a segurança).
- Fica empapado? Em geral não, se acertas na proporção, escorres bem e não abres a térmica.
- Dá para fazer para várias pessoas? Dá, mas costuma ser mais fiável em doses pequenas/médias. Para maior quantidade, um pote térmico largo é melhor do que uma garrafa estreita.
- Funciona com arroz para sushi/arbóreo? Funciona, mas esses grãos pedem mais água e uma textura menos “solta”; conta com 1–2 testes para afinar a proporção.
Depois de afinares 2–3 vezes com o teu arroz e a tua térmica, vira rotina: pôr, fechar e seguir com o dia - e o arroz sai macio e bem separado, sem fogão nem vigilância.
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